quarta-feira, 11 de outubro de 2017

MAMÃE ME CHAMA


Para Madre

Mamãe me chama, mas fala que ainda tenho que esperar alguns meses para viver essa confusão do mundo. Alimenta-me com prazer lácteo e cuidado próprio, porém sabe que algumas coisas terei que engolir a seco e também saber se arrepender.
Mamãe me chama de amor, benzinho, filhote mesmo no vórtice das cólicas, dos momentos insones e de sensações que lhe causo. Eu respondo chutando o balde porque já quero inaugurar os carinhos de mamãe e poder responder por telefone que estou bem. Estou interessado em olhá-la olho no olho e chorar diante de sua beleza. Quero assim reclamar e entender qual o motivo que tive que esperar tanto tempo.
Mamãe me chama rodeada de gente como num balcão de bar. Não sabe ela que tenho um impasse entre os seus dois seios. Quero chamá-la! Reclamo em lágrimas a conta a pagar.
Mamãe me chama para me ver andar cambaleante e poder virar a paixão de uma fotografia. É dente na manchete que nasce e a antologia do que cai.
Mamãe me chama pela nota baixa aos berros e não quer ouvir as palavras desamparadas que babam da minha boca. Vou alcançando mamãe na vida e entendendo os seus sentimentos e ingredientes.
Mamãe me chama. Tenho que acordar cedo. Pão na mesa e o descobrimento do pânico com o relógio. Mamãe me apresenta o chefe e o trabalho. Mamãe é o lar, o colo, o chinelo, o beijo e a vida. Esqueço a blusa de frio, a chave de casa, o guarda-chuva. Mamãe briga comigo e fala que eu não estou funcionando muito bem.
Mamãe me chama brava porque estou rabiscando nas paredes versos do exílio e me proíbe de estragar o patrimônio que será meu com essa bagunça que sai do coração.
Mamãe me chama para dar conselhos. Xinga sobre os meus inúmeros erros. Mas mamãe também me elogia pelo o que aprendi errando e o que apresento a ela de novo.
Mamãe me chama para se despedir já que decidi morar distante. Mamãe chora protetora e feliz pela tecnologia dos meus atos. Na mala vai o clima cauteloso da liberdade e um perfuminho da saudade. Mamãe chora longe e perto, perto e mais longe no banheiro. Mamãe custa a entender que estamos indelevelmente ligados no mesmo cordão do infinito, independente dos erros e acertos que fazemos na vida.
Mamãe me chama Mamãe me vê grande. Mamãe me vê adulto. Mamãe me vê velho. Eu vejo mamãe como sempre a vi: linda. Lindíssima!
Mamãe me chama. Mamãe me chama. Mamãe me repete. Mamãe se repete. Mamãe sempre há de me chamar. Eu hei de sempre chamar por mamãe, pois mamãe é a diversão de ser minha eterna primeira palavra.
(VFM)

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

QUARTA-FEIRA


Enquanto você lê esta carta
Estarei no quarto. Porta fechada.
Cansado de tudo, cheio de nada.
Vejo tua foto ainda, Marta.
Pegue os meus livros e reparta
Aos olhos de quem se diz amada.
Visto minha roupa engomada
De domingo, mas hoje é quarta.
Dentro do envelope há também
O perfume de umas notas de cem,
Que são as minhas economias.
Peguei do pai o velho revólver.
Até logo. Uma bala só requer
Pra acabar com minhas poesias.
Uso sapatos. Fechei a cortina.
Deve ser noite. Não há sol algum.
Só a tua foto me ilumina.
O alarme soa. Marca uma e um.
Prometo não sujar a latrina.
Calma... Não se assuste com o boom.
É só uma lágrima da retina.
(VFM)

Um grito ao Pai


gritávamos pelo pai
para que ele nos visse. pai
só nos via criança
entre leite, mato e cabelo sujo de lua.
dizia antes do nosso
sono demoníaco:
"não vou criar filho vagabundo".
engolíamos à seco
o mandacaru que nutria
nossa porta de entrada na cama.
nunca entendi a vagabundagem
nas cicatrizes dos abraços,
nem ao espalhar os livros
aonde não havia fôlego.
pai gritava com sal na boca
e cinto na mão para amarrar
o meu sonho ao do meu irmão.
o sol na casa úmida estalava
nas roupas adormecidas.
o frio gemia no bocejo das cobertas.
nossas pernas irrequietas
rasgavam as ruas desertas
e o assoalho da casa suportava
o peso serelepe da nossa infância.
algumas vezes também gritei pelo pai
só para desatar os pernilongos
prenhes de noite e sangue
na preguiça da parede rabiscada
de brancos arquipélagos e palavras.
no fundo da casa o latido do cachorro
coloria nossas brincadeiras
e espantava as assombrações
trepadas no muro musgoso.
eu e meu irmão vagabundeávamos
na arborescência dos dias.
plantávamos estripulias no jardim.
deixávamos nossos retratos talhados
na memória, ecoando
pelas saudades do agora.
eu nem sabia que fazíamos poemas
quando gritávamos pelo pai.
a gente queria mesmo era descobrir
paisagens e criar aventuras.
pegávamos os cachimbos fedidos
escondidos e nos fazíamos piratas
para roubar o nosso próprio futuro.
bagunçávamos veemente
as bebidas do bar para tontear
o tempo e nos encher de alegria.
anunciávamos aos amiguinhos
que o pai estava por todos
os lados da casa.
medo e euforia. nervos altos.
era isso com a chegada do pai.
a casa no tecido trabalhador do pai.
pai gritava pulmonar para espantar
brinquedos e poeira e dizer volumes
de inteligências e passados.
tantas histórias embaixo dos anos.
tantas histórias embaixo dos anos.
pai tem momentos que nos vê criança
e acha que não aprendemos a pular tristezas.
não percebe que guardamos dentro
da gente alguns dos seus espelhos
e reflexos importantes da nossa desordem.
por isso, pai, continuamos a gritar
o seu nome. a gritar pelo pai. pai.
(VFM)

Um poema Temeroso


(A moda de Tomás Gonzaga)
Eu, TEMER, fui primeiro 
Deputado. Cansei de ser vice.
Sou interino na malandragem.
Como Jucá muito bem me disse
O acordo, as carnes são nossas,
O tribunal e as notas mais grossas.
Ah! Minha bela Marcela, glória!
Eu paguei a todos se contares
Para me salvar a reputação.
Salve, salve os parlamentares
Porque de tudo nada provo
Eu voltei presidente de novo.
Grava aí Gilmar, meu bom amigo,
Outras mudanças serão enormes.
Sai Janot ingrato com seu pranto.
Veja enquanto o povo dormes
A gente contente dessa sorte
Até que o país chegue a morte.
(VFM)

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

NOCTURNA


restou meia cerveja quente
e adormecida ao teu lado.
você dormiu sem dizer adeus,
sem tirar as lágrimas do rosto,
que borravam a roupa, maquiagem,
a falsa alegria, a camisa, o decote
cismador, a paisagem abatida dos anos.
o copo ficou - lá - rendido ao teu batom
caro e fracassado, que ninguém sabe
dizer em qual boca a tua letra ficou.

NO PONTO


A espera do ônibus é aquele momento de reparar silêncios;
Calcular as dívidas que a saudade jogou no peito descampado.
Ficamos a observar o sol que atravessa a rua sem olhar para os dois lados da situação.
Uma senhora passa com seu cachorro desfocado
E imaginamos que alguma dor dorme no fundo da sua bolsa
E que ela se deixa levar pela dor que o pobre animal carrega.
Na espera do ônibus os olhos buscam uma palavra infinita pelas intermináveis propagandas.
Correm os olhares diante das vitrines entediadas.
Queremos ir para algum lugar ou voltar para a paisagem segura da casa
Que desde a sirene do despertador nos aguarda.
A multidão que corre nas calçadas deixam rastros,
Confundindo nos com as casas construídas em nosso tempo improvável.
A espera do ônibus é aquele momento no qual descobrimos que nos dobramos de segredos
E que embarcamos com tanto para dizer,
Mas que esquecemos de dizer.
Chegamos ao ponto preocupados porque os vizinhos hão de falar na intimidade das janelas:
"Este aí está a amar".
(VFM)

HAIKAI PARA BASHÔ


Quando amanheceu 
Descobre-se que o sonho ciscou
Em um galo cego.

(VFM)

FOME ANIMAL


o cachorro está desamparado perto do churrasquinho do bar miúdo.
a fumaça o aniquila e o seu rabo merencório varre os passos bêbados,
que, ainda de uniformes surrados do trabalho, trabalham copo a copo.
o cachorro cheira o pé da mesa de sinuca, onde vão rolando
bolas e lágrimas e palavrões e cinzas de inúmeros cigarros.
a música e a TV ligada misturam-se no enrolar das línguas e dissabores.
o cachorro toma um chute malicioso de um torcedor derrotado, jogando-o
para o escanteio da imunda rua. o cachorro lambe a dor enquanto
algumas pulgas ceiam no seu dorso magro. o cachorro coça repetidamente
os seus sonhos no pelo marrom desnutrido para atiçar outros prazeres.
as mesas do bar miúdo vão se enchendo de gente e copos e mentiras e fracassos.
o cachorro se enche de espera e de mais fome. uma cadela encosta com receio
ao lado da triste companhia. senta calada, taciturna, com as tetas inchadas.
há uma solidão os unindo diante da fome.
há homens bêbados. o cachorro vai mastigando a solene noite, que farta de estrelas
vai entontecendo ainda mais os bêbados. a cadela madruga um futuro filhote
na sombra da lua cheia e no escuro cio. o dono do bar miúdo vai empurrando
os clientes bêbados para os seus trapézios. o sono vai fechando portas e olhos e homens.
os bêbados tropeçam em angústias baratas e nas desditas da pesada vida.
o bar e homens adormecem. um menino sujo e esfarrapado e faminto passa,
mas não há mais nada no bar miúdo. o cachorro dá uma mijadinha na porta
para marcar o cenário ao sol feroz e impaciente. a cadela mata a sede
numa poça incógnita e concêntrica. o menino em certo buraco grita chamando
o cachorro e a cadela. eles correm com suas últimas forças.
o cachorro e a cadela latem um poema vazio dentro da noite, na rua, no mundo, dentro do papelão.
não há nome para os bichos. há fome. talvez os bichos se chamem famintos.
(VFM)

QUADRA TEMER ÁRIA


Agosto do desgosto.
Temer absolvido.
Há quem não dá ouvido. 
Brasil tem um encosto.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

UMA QUASE ENTREVISTA COM MICHEL T.


"Pode me chamar de presidente", disse Michel. "Ou de ex-presidente", disse o ex-presidente. "Ocupo este cargo desde 2016 por meio de uma manobra, um pneu furado, uma pedalada pelo Jaburu até a casa do Cunha junto com outros amigos comprados. Fui eleito na barra da saia, visto que, na verdade, deve me chamar de presidente", disse o presidente. "No entanto, considerando o momento atual talvez seja preferível, inclusive diante de tantos fatos (nos quais duvido) e para marcar a história política do Brasil, que o senhor me chame de ex-presidente", disse então o ex-presidente. "Porque, afirmo-lhe com convicção, que um presidente é senão alguém que faz as coisas em favor do empresariado? Mas e quando não trabalha para o capital? Quando não compra deputados e senadores e juízes ele converte-se num ex-presidente? Pois então, já que consegui ainda me manter no cargo e exercer a função de golpista, sendo apanágio de cercear os direitos do trabalhador, mesmo a maioria do povo não querendo e maldizendo, em certo sentido eu continuo presidente. Portanto, prefiro que o senhor me chame de presidente", disse o ex-presidente.
(VFM)

Os pássaros rondam
Os altos edifícios 
Para despojarem
Do chão
O clímax suicida.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

MÃO BOBA


Eu quebrei um dedo e me tornei
Presidente das outras unhas roídas.
32 dentes me elegeram para dar de mão 
Beijada todos os anéis de saturno.
Governei amansando o pão
Que o diabo pisou.
Foram meses em que levei tudo,
E com muitas notas,
Para entrar na história
Pianinho.

HAIKAI


Frio, frio, frio,
Passarinho agasalha
Vento no pio.

AFLORISMO


Meia hora da sua atenção acaba com meu frio.

(VFM)

AOS PÉS DOS HOMENS


aos pés dos homens
o lixo espesso da breve dor.
aos pés dos homens
o desprezo úmido dos dias.
aos pés dos homens
o sol de poeira selvagem que
aos pés dos homens
é um piquenique de sombras.

EXTRUSÃO


Eu, expulso do que me é eterno,
Ciente que tudo me abandona,
Eu, morto, exangue, na morta cona, 
Subsisto em carne no inferno.
Cheguei a esta minha vida cruel
Passageiro do câncer e do pranto,
Vômito acre dentro de um antro,
Abençoado por nascer e ser réu.
Não desespero por nada afinal
Se eu tombei alma em pia batismal
No ventre espúrio, todo roto.
Vendido corpo-podre na usura
Masturbei-me na boca mais impura
Minha sombra de cuspe e esgoto.

(VFM)

CORPO A CORPO


derruba teu corpo amargo
aonde o meu se perde.
o caminho é cinzento
e o orvalho um campo largo.
agarra-me dos pés à cabeça,
antes que a memória
fique muda
e nossa sombra desapareça.

OSSO


A minha treva, meu esqueleto
São de poesia e de cianureto.
E os meus falsos olhos
Dois poços de petróleo.
A máscara que me encobre,
Fantasia pútrida de cobre,
Prenhe de ódio e a míngua
É um uivo de flor na língua.
Tudo que sei: o cio que ouço,
é escória presa no calabouço.
A minha sombra é amarga
E a solidão é a minha carga
A roer de saudade meu osso.
(VFM)

LÁ VAI A REFORMA


Foi no apagar das luzes
Que o trabalhador perdeu.
Senadores com capuzes
Dizendo: " Bem feito, se fodeu".
Temer do seu gabinete,
Presidente fictício,
Queimava com a CLT
Acusações e indícios.
"Hora da comemoração!
Já dei fim na Lava-Jato.
Aberta a exploração!
Pobres! Lambam meu sapato!"
"O povo é patético.
Eu mando soltar doleiro
E me faço de ético.
Adeus décimo terceiro!"
"Chega de manifestação",
Pensava o interino.
"Já cumpri a minha missão,
Roubar é meu destino ".
"Não reclame mais, trabalhe!
Marcela agora quer paz.
Não quer que pobre se espalhe,
Falando mal do Satanás".
Passa a reforma passa.
Trabalhista de começo.
No lombo do povo assa
O tronco do retrocesso.
"Ah, chega de privilégio.
A merda os seus direitos.
Comunista é sacrilégio
No chicote eu endireito".
"Só em 2018
Para me pegar no flagra.
Está na hora do coito.
Toma Brasil! Haja viagra!".
(VFM)

Poeminha (in)justamente para o trabalhador


A causa mais justa
O patrão te conta:
O chicote se ajusta
De ponta a ponta.
Cada "ai", sim, custa
Ao nosso erário
E a gente desconta
No seu saldo bancário.
Viva a reforma!
Canta ordinário
E se conforma.
(VFM)

DESPOVOAR


Vamos despovoar os livros
Já que as palavras
Dão pulmões aos manifestos.
Vamos despovoar as despedidas
Já que as esperas são iguais
Nas terríveis ausências.
Vamos despovoar os homens
E deixar livre o coração terrível
Gritando os nomes do esquecimento.
Vamos despovoar os ridículos.
Deixemos vagar as lembranças
Com seu oxigênio fecundo.
Vamos despovoar a força da tristeza.
Desenvolta é a doçura dos beijos
Impressos na adrenalina.
Vamos despovoar os corruptos
E colocar uma nova geografia
Da vida que nos invade.
(VFM)

OS MARINHEIROS


Viajam os marinheiros
Sol adentro, sofrendo,
Ao mar tumultuado
Pelas flores do vento.
Nuvens serpenteiam
Arando o azul dos ares.
Nos braços - estrelas -
Em noites singulares.
O barco, lá vai, soçobra.
Longe o silêncio afronta
Os peixes pelo caminho
Dos marinheiros à sombra.
Sem tempo de regresso,
No comércio, os corpos,
São sonhos sem preço,
Onde navegam mortos.
(VFM)

quinta-feira, 29 de junho de 2017

COTIDIANO 1


As janelas
Têm privilégios
De olhar primeiro
Os brincos pendurados
No baque da mesa.
Viram elas quando a Noite
Já tinha recolhido
Os copos quebrados,
Bem antes que a Manhã,
Na confusão, chegasse de sol
Ciumenta e esquecida.

(VFM)

terça-feira, 27 de junho de 2017

CISMAS POÉTICAS


(Para Pablo Neruda)

1- Estrelas sabem educar vagalumes?
2- Passarinho pousa os olhos em quantos livros?
3- Como vivem as cores berrantes no pasto?

(VFM)

AFLORISMO


A saudade é um retrato empoeirado.

MINICONTO


O Pintor
No fim da vida pintou com apenas duas cores o seu quadro clínico.
(VFM)

quarta-feira, 21 de junho de 2017

178 anos de MACHADO DE ASSIS!!!


Essa é uma "História Comum":
Tudo começou "Entre duas Datas": 21 de junho e 29 de setembro. A primeira data foi em uma "Missa de Galo" quando o tristíssimo "Quincas Borba" conheceu "Helena". Ela, seios em flor, ("Vinte anos! Vinte anos!") saí da sua "Crisálida" meninice. Ele, que "Antes da Missa", tinha vindo do "Memorial de Aires", carregava nos ombros aduncos mil "Desencantos", um poeta de "Letra vencida" não sabia mais buscar o amor. No entanto, foi "Helena" "O melhor remédio" e "A chave" para abrir os seus olhos.
Eles começaram a se corresponder por "Papéis avulsos" entre as delongadas falas do "Pobre Cardeal". Não demorou para se apaixonarem e jurarem amor eterno. Versos e mais versos "Tu, só tu, puro amor...". "Helena" era filha do "Quase Ministro" "Dom Casmurro" e de "Iaiá Garcia". Moravam na tradicional "Casa Velha" da cidade. "Quincas Borba" estava acometido de uma "Aurora sem dia", má sina, assim tinha dito "A Cartomante", que iria lhe trazer "Três consequências" as suas relações amorosas.
A primeira foi "O contrato" firmado com "O pai" junto "O escrivão Coimbra" para desposar a bela "Helena", durante "Uma partida" de xadrez. A segunda consequência foi "O empréstimo" que "Quincas Borba" teve que pedir para poder frequentar a casa da sua amada, lhe comprar "O espelho" tão sonhado pela moçoila e futuramente tentar pedir "A mão e a luva" de "Helena". Por fim, "O caso da Vara" briga que arrumou em um bar que "A sereníssima República" tinha o colocado atrás das grades no dia em que seu concorrente tinha feito o pedido de fato de se casar com "Helena".
Estavam aí suas mazelas. Foi por meio de uma "Folha rota" que ele conseguiu contato com a amada para que eles fugissem às escondidas da família e pudessem ter "Felicidade no Casamento". A questão é que não deu. A "Troca de datas" pelos correios atrapalhou tudo. Quando "Quincas Borba" saiu da cadeia e foi correndo para buscar "A melhor noiva", lá estava ela casada com o maldito escrivão, partindo para terras "Ocidentais". Não teve tempo de se despedir e de tentar roubá-la para si. Para "Encher tempo", "Canseiras em vão", o pobre apaixonado ficou a escrever e pensar de "Um sonho e outro sonho" em "Helena".
Após anos e anos, "Tempo de crise", eis que volta ela como "A viúva Sobral". "Helena" incessantemente procurou por "Quincas Borba". Porém, quando descobriu o seu paradeiro, no dia 29 de setembro, lá estava a "Marcha Fúnebre" levando "Um esqueleto", seu "Eterno!" amado, morto em "Um incêndio", para o lugar das "Almas agradecidas" (?). "Helena" nunca mais se casou e visitava o túmulo diariamente do seu poeta.
Como eu disse, era uma "História Comum", uma "História de uma lágrima". E como disse Machado: "Quem conta um conto..." talvez ganhe a "Ressureição".
(VFM)

HAIKAI DE INVERNO


Em tempos de frio
Boca a boca
Cobrir-se de elogio.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Chuvosa


A chuva acaricia devagarinho o rosto da menina pelo vidro. A procissão de lágrimas alheias tinge aquela face trancada em solidão, enquanto os guardas chuvas lá fora brincam pela calçada de forma comovente ao passo dos pés que se inundam de incompreensão.

HAIKAI


Eu, morto de cansaço,
Flores e lágrimas,
No caixão do seu abraço.
(VFM)

Dia dos namorados



- Michel! Nesse golpe não caio mais. Estou cansada de ganhar panelas.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

quinta-feira, 8 de junho de 2017

FOFOCAS DO JABURU


Não sabe a Marcela que quem deita com ela na cama está em maus lençóis.
(VFM)

HAIKAI


Pobre do nosso país!
Não construímos Pinóquio 
Mas somente nariz.

(VFM)

AFLORISMO


É só falar de amor que meu coração passa batido.
(VFM)

AFLORISMO


Cair no sono também quebra sonhos.

HAIKAI


Não se queixe.
Melhor fisgado de amor
Do que o peixe.

(VFM)

Quadra


Colho o que planto,
Mas não é trevo.
Tudo que levo 
É flor do pranto.

MICROCRÔNICA POLÍTICA


Marcela: - Estou querendo ficar Fora, Temer, do que está acontecendo.
Temer: - Isso é uma indireta?
Marcela: Quer uma direta já?

(VFM)

MICROCRÔNICA POLÍTICA


Camisa "A culpa não é minha: eu votei no Aécio" já virou pó.
(VFM)

IMPEACHMENTBERFEST


De acordo com o Temer, a festinha do golpe foi OFF OFF, pois era tudo na faixa.
(VFM)

quinta-feira, 11 de maio de 2017

HINO NACIONAL VERDE AMARELO


Ouviram do golpista as falas ácidas
De um povo triste ao golpe relutante
E o sol da iniquidade sobre o estúpido
Brilhou na sua faixa de farsante.

Se o senhor quer desigualdade
Conseguimos derrubá-lo com braço forte
Não custeio esse golpe
A reforma vai levar o povo à morte.
Ó patriarca sua inhaca
Não se salve!
Brasil, abismo imenso, caso crítico
Contraventor na folgança a justiça esquece
Se a corrupção, filho teu, sonho típico
De quem tem um bom juiz e agradece.
Flagrante em sua própria avareza
És Otelo, és caixa forte, roubando até o osso
E o teu tesouro reflete a tua safadeza

Greve Marcada!
Golpista vil
Fora do meu Brasil
Ó luta armada!
Dos ricos safados és tola mãe gentil
Pátria calada
Não mais, Brasil!

II

Dissimulado eu sei que mente Temer bandido
Ao querer reformar com ajuda do submundo
Fatura, ó golpista, ladrão da féria
Ignorado ao sol até o fim do mundo.
Do que a bezerra mais provida
Teus medonhos dedos usufruindo nos bastidores
"Nossos escroques têm boa vida"
"Nossas dívidas, no rateio, mais credores".
Ó palhaçada
Tão calculada
Salve! Salve!
Brasil, de políticos - inferno frívolo
O ignaro que sustenta o estelionato
E briga o serdes ouro dessa fórmula
Faz no futuro o pior do nosso passado.
Das as injustiças é melhor o boicote
Verás no teu Congresso maioria absoluta
Sem Temer, traidor, vá embora seu velhote
Terra arrasada
Haja Estomazil
És tu, Brasil
Ó putaria extravasada!
Aos filhos pobres dá-lhes colo, ó mãe gentil
Fora Temer
Brasil!


(Vinícius Magalhães)

MINICONTO


NetFitness

- Qual a sua série favorita?
- Três lanches de escadas para fortalecer o glúten.

(VFM)

quarta-feira, 10 de maio de 2017

terça-feira, 9 de maio de 2017

sexta-feira, 5 de maio de 2017

AFLORISMO


Hoje preciso destronar a saudade, pois uma nova lágrima já coroa meu rosto.

(VFM)

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Sambinha modesto

Tributo aos 80 anos sem Noel Rosa (1910/1937). Salve, salve o poeta da Vila!
do morro 
a poesia descamba
pela cidade.
o povo
na corda bamba
da felicidade.
lá vai o patrão,
bolso cheio, ouvidos moucos,
passando alheio
à situação.
do morro
a poesia descamba
pelo violão.
socorro!
tem muito samba
no suor
do coração.
(VFM)

quinta-feira, 27 de abril de 2017

QUADRINHA GOLPISTA


Lá vem a reforma trabalhista.
Há quem queira da Previdência.
O empresário paga a vista
O Temer com antecedência.

(VFM) #ReformaNão

terça-feira, 25 de abril de 2017

QUERO VER ABRIL


P/ Carlos Alberto Magalhães e Leonardo Magalhães

Quero ver abril
Correr sua infância
ariana, chifres taurinos
Chegando aos feriados.
Papai ao final do rebanho,
Levantando na terra
O filho distanciadamente
Dos anos.
Quero ver abril
Falar de Jesus
Em atrozes poemas
E dias depois
Beijar na boca-da
esfinge velhos testamentos.
Quero ver abril
Comemorar meus anos
Ainda sobreviventes
Com a fantasia da mocidade,
Chorando 2 meses
Com os olhos
Em Maio
E
Em búzios.

MINICONTO INCONFIDENTES


É só chegar o feriado que Tiradentes fica com a corda toda.

(VFM)

quarta-feira, 19 de abril de 2017

terça-feira, 18 de abril de 2017

Novas expressões políticas populares


1- Um olho no bolso, outro na empreitada.
2- Amigos, amigos, empreiteiros à parte.
3- Um dia da farsa, outro do delator.

(VFM)

terça-feira, 11 de abril de 2017

sexta-feira, 7 de abril de 2017

DIA DO JORNALISTA


Saiu para a labuta da reportagem, chapéu na cabeça, coçando o nariz de cera. Tomou seu suplemento diário, abrindo aspas e um sorriso, enquanto arrumava o bigode antes da entrevista. Pigarreou um briefing de maços atrás no tempo em que olhava a última chamada no celular. Tudo para ele parecia muito clichê. Como não tinha tomado café, sentou para comer uma notícia com cobertura de ontem, bebendo um cálido artigo. Logo lembrou que tinha deixado a janela aberta e que com a chuva que se diagramava no céu o clipping pendurado no varal iria molhar. Mas não tinha jeito. O seu deadline já cantava no alto das igrejas e nas sirenes das autoridades.
Pagou o jabá antes do fechamento dos informes. Correu pelas ruas sem muita legenda, mas de súbito aquela dor na coluna - crônica! - voltou a lhe atazanar, tudo pelo exagero de cruzar as informações entre teclado e tela e cadeira e plantão. Tomou um tabloide para aliviar a dor e lembrou que devia ter levado o crédito pela noite de ontem no jornal quando viu pelo espelho a nova editora-chefe - fonte dos seus suspiros.
Porém, o que ficou divulgado foi que o seu expediente não lhe permitia furos e atrasos. Mas naquele dia ele tinha achado o gancho. Tirou da gaveta aquela velha manchete, matéria fria, que continha todo o seu mailing e intento. Sem muitas perguntas e respostas, quando ela estava encostada na sua editoria, de olho plantado em releases e personagens de cosméticos, ele, em off, a convidou para um particular pingue-pongue. Ela, na retranca, não quis repercutir aquele bate-papo, deixando em stand by, dizendo: "Lead com o fato de que a realidade tem mais caracteres do que sua pauta". Porém, antes de fechar o texto final daquela situação, ela informou que daria para o ocorrido novo título: sua demissão!

(VFM)

quarta-feira, 5 de abril de 2017

segunda-feira, 3 de abril de 2017

MICROCRÔNICA POLÍTICA


Odebrecht depositou propina para o █████ em Nova York porque ele é merecedor também de uma estátua da Liberdade.

(VFM)

sexta-feira, 31 de março de 2017

MICROCRÔNICA POLÍTICA


Essa reforma da Previdência é do arco da velha.

MINICONTO


Em um aplicativo de paquera:
- Ei, tudo bem?
- Tudo!
- O que vc faz?
- Sou recepcionista terceirizada.
- Foi golpe ou impeachment?
- Golpe!
- Vamos então conversar fora Temer daqui?

terça-feira, 28 de março de 2017

quinta-feira, 23 de março de 2017

quarta-feira, 22 de março de 2017

sexta-feira, 10 de março de 2017

DESCOBERTA


Não acreditava nesses antigos provérbios, os quais vaticinavam que ouvir sabiá é dar fruto para nosso coração incerto. Nessas de esfregar os olhos para moer os sonhos empedrados, percebi que um certo perfume ainda pendurado no bigode mudava a paisagem. Não tinha sido o excesso de álcool despejado em palavra seca, muito menos os cigarros cintilando em noite escura, mas algo mais cantado pela história, com certa vergonha entre livros. Poderia diagnosticar como um delírio, que a noite de ontem insistia em se negar passar e reafirmar que durante um tempo, ou muito tempo, podemos ser felizes?! Estou certo que o medo nos toca diante dessa incerteza e dessa gota de possibilidade. Parei para pensar sobre o fato e pude reconhecer os ardis daquela bela sombra que me amparou nos braços e soube cobrar em doces tributos as exigências do encanto.
Foi simples para o tempo, mas desesperadamente único para mim. A cidade em que vivo me deu o itinerário certo para arruinar meus receios e ocultar minha impassibilidade. Pude visitar menos aborrecido, de carona com uma nuvem mensageira, os segredos que ela, sim, ela, habitada de sentimentos e intenções escusas, transeunte da vontade, medindo cada caminho, cada metro quadrado, cada corpo, com primor de um laço, os seus olhos de bússola.
O encontro foi por acaso. Uma trombada ao virar a esquina, uma pergunta de que horas são, um com licença no supermercado, um empresta o isqueiro no bar do bairro. Daí não escondemos conversa e fomos empurrando o tédio para os ratos insones. O dia foi se encurtando e a noite perdeu sua quietude, nomeando nossos desejos em terremotos. A audácia prazenteira me tomou conta e matamos, boca a boca, os ecos do abismo. Hoje, após sua saída abrupta - atraso ao trabalho -, sem me deixar promessas, me atentei que ela, depois de tentar em vão ressuscitar outros tempos, somente ela, me encheu a boca de mantimentos, misturando querosene em meu sangue, essas coisas de batizar o coração. Ela, invisível ao partir, visível ao que ficou, esqueceu sobre a cama, estendido no lençol amarfanhado, o amor.

(VFM)

quarta-feira, 8 de março de 2017

E agora, Maria?

PARA A LUTA DE HOJE! 8 DE MARÇO!

E agora, Maria?
a greve acabou,
o vestido rasgou,
a filha sumiu
de noite num show,
E agora, Maria?
E agora, à mercê?
Você que tem fome
e cuida do filho dos outros,
você que vê novela,
que reclama, faz promessa?
E agora, Maria?
Está sem marido,
está sem emprego,
está sem documentos,
já não pode sofrer,
já não pode amar,
gozar já não pode,
o coração esfriou,
o seu direito não veio,
o choro não veio,
o bagulho não veio,
não se vê alegria,
e tudo findou,
e tudo morreu,
e todos se foram,
E agora, Maria?
E agora, Maria?
Vende o doce corpo
na noite terçã,
apanha e sonha
com casa nova,
com sua família,
sua independência,
seu sapato de luta,
seus seios desrespeitados,
sua desilusão,
seu reconhecimento – senhora?
Com desejo nas mãos
quer a liberdade,
mas a liberdade não existe;
quer conhecer o mundo,
mas o mundo anda caduco,
quer ir ao salão,
mas unhas não há mais.
Maria, você tem hora?
Se você fosse forte,
se você resistisse,
se você tivesse previdência
e gritasse fora Temer,
se você sorrisse,
se tivesse panelas,
se você não fosse estranha,
se você mudasse de vida,
mas você é mulher,
você tem alma, Maria!
Caminha entre o povo
qual sombra derramada,
sem árvore e medicamentos,
sem proteção e espelho
para ver sua face perdida,
sem palavras calmas
que possam lhe dar esperanças,
você tropeça, Maria!
Maria, para qual destino?
(VFM)

sexta-feira, 3 de março de 2017

MICROCRÔNICA POLÍTICA


Conforme NEVES, Aécio (2017, p.45), após mais uma citação na Lava Jato, isso já lhe possibilita entrar nos anais da ABNT e ganhar uma dissertação em Furnas.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017