segunda-feira, 11 de junho de 2018

SILÊNCIO


Pensar em silêncio
O ruído que rói o homem,
A palavra estonteada
Do tempo.
O silêncio dos terraços
Pelo lado de dentro,
Pelo lado de dentro
Da gente.
O terrível silêncio
Subterrâneo do grito.
Acordemos as vozes
Dos mortos,
Árvores caladas.
Pensar em silêncio
A cidade debaixo
Do passado,
Antes que se extinga,
Durante os meses
Da fala, o mais remoto dom:
O silêncio

segunda-feira, 4 de junho de 2018

O poema é um desígno, por vezes, não acontecido, como um casaco esquecido na invenção da cadeira, onde ainda devemos sentar.

PARENTE DO HINO NACIONAL


Ouviram no Ipiranga as bombas tácitas
De um povo em caminhões beligerantes
E o preço da Petrobrás um ágio estúpido
Parou na Shell da Pátria revoltante.

Se o motor tá na anormalidade
Conseguimos empurrar com braço forte,
Em um posto vai parar, ó humanidade,
Pois a gasolina vai cobrir a nossa morte!

Ó Pátria finada
Uma gota pra cada
Salve! Salve!

terça-feira, 29 de maio de 2018

NA ESTRADA


Li num parachoque de caminhão:

"A saudade anda abastecendo minhas ilusões, mas não se preocupe porque nessa velocidade o coração está preparado para os desastres".

Não tenho muita certeza se estava escrito isso mesmo. Eu mijava na beira da estrada e escrevia meu nome para ver se nasciam flores.

Ouvi a buzina decapitando o silêncio e aquele turbilhão atropelou minhas ideias.

Sou um pouco míope e do que ficou do caminhão foi não saber do seu destino, assim como não sei o meu, mas são lugares para conquistar a própria mágoa.

E acidentalmente tomamos uma multa por pensar em amor em plena luz do dia.

quinta-feira, 24 de maio de 2018

quarta-feira, 16 de maio de 2018

AFLORISMO

Escrever um poema é ter um copo cheio nas mãos em meio ao terremoto.

AFLORISMOS NOTURNOS

Eu demoro a chegar em casa de noite, sim! Quem nunca parou pra ajudar um vagalume com o pisca alerta ligado?!