segunda-feira, 18 de abril de 2016

OS RATOS


os ratos conseguiram dizer sim
com suas barrigas peludas e cheias
de cretinismo, de ironias, algemas
frouxas e risos.
os ratos usaram os seus rabos
para palitarem os dentes tão caros.
os ratos roem roem roem roem
a roupa do rei de roma da presidência.
os ratos não esqueceram de roer a
constituição enquanto cantavam, em coro,
uma ode a todos os charlatões, canalhas
e à ratazana mor chamada corrupção.
os ratos invocaram suas famílias -
ninhada que nos rói e há de roer os bolsos
das nossas calças. eles gritam:
"vamos comemorar, roedores"!
os ratos estão comendo o queijo e
bebem do nosso suor e do nosso sangue.
como são espertos os ratos, sabem bem
desarmar ratoeiras jurídicas.
os ratos são imunes aos venenos,
à democracia. envenenam cada vez mais
ruas e casas. abrimos o esgoto e eles
as bocas os cus para devorarem o país.
pobre dos gatos (talvez também gatunos)
que não dão conta, embora os ratos ponham
na nossa conta o que de nós pilharam.
grandemente danosos os ratos.
pobre dos gatos que dos telhados veem a festa,
utilizando nossa bandeira para cobrir a
mesa de um estado laico. os ratos arrotam
agora a ilegalidade e limpam os bigodes espúrios.
os ratos não estão mortos e mesmo assim
eles fedem a merda merda merda merda
e continuam a fazer mais merdas no país,
nos paletós, nos mocós onde passam.
os ratos acham que vão construir um mundo
melhor, mas se esquecem que lá fora
o povo sonha e sonha e sonha e luta
para exterminá-los definitivamente.
os ratos não querem saber de estado democrático
porra nenhuma. os ratos querem ficar juntos
e regozijarem a farsa e mijarem em quadrilha
para causar mais fedentina e prejuízos.
os ratos devem mesmo se agrupar, assim
conseguiremos mais facilmente matá-los
com nossas vassouras, nosso voto,
nosso bom senso, nossa indignação.
os ratos conseguiram dizer sim,
mas podemos escapar antes deles
corroerem tudo que resta de bem.
Que não prevaleça a violência que governam.
os ratos querem nos enganar com falsas fofuras,
transmitindo doenças mil com suas patinhas de direita
e enterrando as verdades. o sim que eles gritam
é uma peste bubônica para o brasil.
à medida que a noite abria os seus braços para
a esperança, os ratos subiam vorazes ao púlpito
para roubar a cena e gritarem: "sim! sim! sim!
somos indestrutíveis! somos o que somos"!
os ratos querem deglutir o povo e apodrecer
os estimados frutos da democracia. os ratos
(pobre de Deus!) pregam o evangelho e a ditadura
e bebem a água benta e nos colocam a culpa.
os ratos, quando nos demos conta, tornaram
em migalhas nossa liberdade, incitando o tumulto
e almejando devorar nossos sonhos e nos dar
ordem e nos forçar a dizer sim sim sim sim.
os ratos conseguiram dizer sim,
mas nós vamos vencê-los. vamos tapar os buracos
que fizeram. vamos tornar o país um lugar seguro e livre
para dizermos NÃO aos ratos. NÃO aos ratos!
(VFM)

2 comentários:

  1. Muito bom! Um abraço deste lado do Atlântico. RAA

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  2. Obrigado, nobilíssimo Ricardo! Amplexos que singram até Cascais.

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