domingo, 29 de dezembro de 2013
Feito para o Natal
FAMÍLIA
É tempo de traçarmos o caminho.
Não andando pela noite escura
A ser pela vida um Eu sozinho,
Pois a solidão é dor impura.
É tempo de construir o nosso dia
Nos gestos deste tempo em vermelho,
Deixando o céu cobrir com alegria
O coração com quem me assemelho.
Devemos fazer da nossa mão asa,
Ninho de sonhos, ventura da casa.
Amemos! De amor vive o homem.
É tempo de cuidarmos em vigília
O que o tempo deu como família:
O sangue, o coração e um nome.
(VFM)
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
sábado, 21 de dezembro de 2013
sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
MICROCONTO
Pelo dia do arquiteto. Para Deise Alves
Arquiteta
Tentava edificar o nosso amor. Eu ainda querendo tombar seu patrimônio. Meu Deus dossel!!! Trena comigo?
(VFM)
2 MINICONTOS
Para o jornalista esportivo Daniel Ottoni
Série B
I
- É gripe?
- é Flu!
II
- Vascaíno está de cruz de mal?
- Tá!
(VFM)
Série B
I
- É gripe?
- é Flu!
II
- Vascaíno está de cruz de mal?
- Tá!
(VFM)
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
CONTO PREMIADO NO 9 PRÊMIO DE LITERATURA MAXIMIANO CAMPOS
JOGO DO BICHO
Seguia como todos os dias, andarilho, rondando como urubu no ar plúmbeo, bêbado igual uma égua desde cedo, cantando de galo. Bafo de onça, um cabra safado, feito cão sem dono pelas vielas do sol de julho, o malandro pisava cada pedra vigilante. Pé a pé, arranca um tatu do nariz e arremessa ao casal de pombinhos sentados no banco da praça, como se jogasse migalhas de desprezo. Os amantes bufaram de raiva, rinocerontes, num barrido: "Porco!". Ele pôs na boca uma hiena, o escárnio.
Logo, tangia ao seu lado aquela bela piranha, famosa galinha dos puteiros, dona das barbatanas, que seguia balangando o rabo igual uma vaca que espanta mosca, mas atiça pica-pau. O magano, se achando um gato garboso, fluía margeando a boemia, na crocodilagem, no desejo insano de passar o rato, dar uma de jacaré em alguém (comia veado, paca, gazela, potranca), sem princípios e sem fins. Acendeu um vaga-lume, esfumaçou percevejos ao léu.
Acostumado à selva cotidiana, ele, como coiote, driblava algema atrás da presa, pois se for pra engordar o gado e dar um abraço de urso que seja o encher a carteira de peixe graúdo, assim pra feder na roubalheira. Cheio de minhocas na cabeça, truta, ia traquinando, a cada passo cuspia marimbondos, escorpião no bolso, pronto pra atirar zunido de abelha. A fome de arrecadar arame verde, a bufunfa, as carpas, à custa dos outros, lhe instigava, assim como lobo que circula as ovelhas nas horas sujas.
Parou na sombra do morcego, no mocó, ficou fazendo cera, no buraco, de olho na caranguejeira apertada na calça da jovem corvina inocente. Possuído, no código morsa da ladroagem, espreitou com olhos de tubarão, felino, águia, a vítima, a bonita preá. Corujando, ardiloso, escandia os trejeitos e vacilos. Secava, carcará, a aridez do bolso da calça, o colar de sereia no pescoço de peru, o pé de coelho dependurado na bolsa que trilava como cigarra. A sorte lhe avizinhava. "Hoje era dia de bicho!", matutava. A novilha primaveril serpenteava pela calçada, fogosa.
O ébrio vadio, feito cobra, chacoalhava a arma, pressentia o ar sonso da marreca; ela ia lesmando. Quando a cadela, a freirinha-amarelada, menos esperou, miudinho, mergulhão, deu o bote, um touro, chifrou, puxou a escama, agulha, e alfinetou a pança da seriema. "Passa pra cá as saúvas, as lagartixas, as sardinhas, os esquilos", ciciou, grilo no ouvido, à tigresa, que pulou assustada, perereca. A jacu, arara da vida, gritou desesperadamente depois de ter perdido toda plumagem. De nada adiantou. Ele pegou tudo, mão leve, sutileza de elefante, limpou as penas da codorna, afanou. Correu, jaguar sorridente, na azáfama, estufado e soberbo, pavão.
Depois de tanto saracotear, cuspindo no bueiro o passado, ele, chacal, parou no primeiro boteco pulguento, mexendo no furdunço neon da zona: Arca de Noé! Zoo! Passou catraca. Sentou pleno. De um lado pro outro Maria-fiteira, topetuda, de-olho-claro, bicudinha, sebinho, de-barriga-branca, do nordeste, catarinense, mirim. Aprumou olho-falso. Pediu pra garçonete, cachorra, jararaca, baiacu, uma baleia, chorar mais um girino no copo, pois hoje era dia de festança, o curral foi aberto. Tororó! Risadinhas pra cá e acolá. Bebeu caninana até ficar alegrinho, cara-dourada. Balançando o copo, cascavel. Do seu lado vários sertanejos-escuros. João-pobres. E ele lá cheio de anchovas. Canguru. Cascudos saltando da algibeira, gibão.
Para se fartar a tarde, comeu um leão! Fome de avestruz. Satisfez o javali. Chupa-dente. Bebeu a ardente, desértico, feito camelo! Bico-virado-fino. Estalador. Espreguiçou, com pompas, pinguim-rei, capitão-de-coroa. Bocejou, bicho-preguiça, joão-bobo. Pagou a capivara, o calango, o pichororé, a conta. Porém, inquieto, com a espora travessa pulsando, pra não deixar passar em branco céu gaivota, apurou as garras do gavião, coçou um tesão. Resolveu comer um bom rabo-de-palha-de-bico-vermelho, uma gostosa biguá, esfolar um tuiuiú, foder uma esplendorosa, coral, borboleta.
Piscou pra primeira noivinha-coroada que ouvia o som na vitrola: Mamba Negra. Soprou: "Bem-te-vi!". Bafejou no ouvido, sabiá: "Vamos fazer um corocochó?!". Ela, chibante, calcinha-branca, gralhou um “Simmmmmm” melódico. Puxou pra perto a andorinha. Lambeu-a, linguado. Levantou-se galante, espadarte. A mariposa, toda balança-rabo-do-rio-negro, se foi, à frente, cheirando a praia e a laranjeira, tempera-viola.
O gatuno, bicudo, só pensando na pipira-vermelha dela. "Hoje tem tico-tico!", rosnou galhofeiro, saindo, mineirinho, no pixoxó, cofiando o bigodinho. Os outros pardais, caboclinhos, curiós, pregos, traíras, vira-bostas, só assentando os olhos e assobiando: "Tiziu!". O madraço repetiu alto, rouxinol, sargento, Garibaldi: "Vamos Mariquita-boreal! Minha graúna! Vamos pro pula-pula!".
O ladrão, zonzo, tartaruga, naquele bode, no sossego de hipopótamo, jiboia, empurrando a calipígia cutia, toda quero-quero, ao abatedouro, já aprontava a ferroada, o coice! Quando já dava as costas, o mandrião, pintassilgo, ouviu um um urro, relincho, um frufru das lebres, outras perfumadas arraias, o alvoroço das rolinhas.
Veio o pio! Na picada rugiu... um caruncho lhe mordeu a perna. A larva ardia, subia-lhe uma dor, o fogo da lacraia pela coluna. Formigou. Empacou. "Burro! Jumento!", mascou do pensamento, irado. "Porra! Deu zebra!', fitou suando de esguelha o serpentário que desferiu o veneno, naja. "Fedeu! Os gambás!", fisgou na hora. A polícia-do-mato. Os chimpanzés. Tombou entre piabas, socos, tambaquis, muriçocas, pontapés. O sangue na colmeia do corpo descia, mel, vinhoso. Até que apagou, cobrindo buraco da toupeira...
Ao acordar, de noite, dolorido, tingido de taturanas, gritou pra falar com o cardeal: “Cousa corriqueira.”. Tentou pagar o mico, o bagre, o besouro, suborno, mas foi em vão. Fremiu vespeiro. Tomou um coró na fuça do orangotango fardado. "Aqui não, gafanhoto!", lhe babou, zangão, o cabo-verde, o gorila. A partir daquele dia, na companhia de baratas e ratazanas, mesmo assustando a carniça da solidão, sonharia enjaulado.
(VFM)
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
QUADRA
Quer estar comigo a sós.
amarrar com pouco vigor
a fome de quando o amor
se dobrar perdido em nós.
VFM
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
NATIMORTO
Uma lâmina deu-me nascimento.
A terra vertendo em mau gozo
A pouca noite do apodrecimento.
Órfão, e no sangue rio gasoso,
A bater no silêncio do sarcófago,
O poema-ser da tola vida remota
(Algoz eterno, vulcão hematófago),
Vencido pela marcha da derrota,
Deixei meu vagido lá pelo século XX
Na utopia de não ter olhos de acinte,
Muito menos sangrar com pedra reta
A afivelada alma, fronte do distante,
Que balbuciou mercúrio no instante
De matar-me com hóstia de poeta.
(VFM)
terça-feira, 26 de novembro de 2013
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
terça-feira, 19 de novembro de 2013
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
domingo, 17 de novembro de 2013
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
NO BRASIL É ASSIM
Não adianta mandar político pro inferno, as portas do Paraíso Fiscal estão sempre abertas.
(VFM)
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
Sê
O estado natural do homem é a tristeza
E por ela sofro e me exalto.
Já basta ser homem e ter a certeza
Que da cova o céu é mais alto.
(VFM)
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
terça-feira, 5 de novembro de 2013
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
sábado, 2 de novembro de 2013
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
Drummoniana
EM HOMENAGEM AOS 111 ANOS DO POETA CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE:
Drummoniana
Pôs tanta rosa no mundo
A florescer na boca do povo.
Pôs a língua mais faminta
Para sangrar as palavras.
E nas mãos vazias de sono
Deu a tua força queimada
Com os frutos da poesia.
(VFM)
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
MICROCONTO
BOOM
Já era sabido, o Terrorista bomba na balada com as minas. Seu sucesso era uma explosão.
(VFM)
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
FRASE DE PROTESTO 62
NO BRASIL É ASSIM:
Quem não conhece na política funcionários fantasmas não sabe o que é espírito de equipe.
(VFM)
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
sexta-feira, 18 de outubro de 2013
HOMENAGEM AOS 100 ANOS DO POETA VINÍCIUS DE MORAES
A uma mulher
Para Vinícius de Moraes
Na concha do olvido
Alguns uivos de água
Pelo teu corpo doce.
Dorme em ti a mulher
Úmida de sentimentos,
Com o ofício de mares
E tristes olhos de poço.
Quando nela se inflama
O vento de memórias
Numa verdade sublime,
Envolto no que perdi,
Esta mulher com raízes
Para iluminar o nada,
Atravessa o poema,
Transpirando areia,
Com os pés feridos
De amarga eternidade.
(VFM)
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
terça-feira, 15 de outubro de 2013
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
PARA O DIA DAS CRIANÇAS
O Fantasma
No castelo mal assombrado
O feio fantasma,
Pobre lençol amassado,
Sofria de asma.
Quando saía do seu ataúde
Para assustar alguém,
Espirrava. Uns diziam saúde,
Outros, sem medo, amém.
(VFM)
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
MÃE
MÃE
Para minha mãe
"Ser mãe é padecer no paraíso",
Dizia já com o coração na boca
O poeta. Mas vou além, eu preciso!
Mãe! O silêncio engasga, sufoca,
Sabe ele o seu amor mui distinto.
Quer gritá-la, pensa, porém receia.
Mantém-se calado tudo o que sinto
E ao dizer fala com a boca cheia.
Ser mãe é ter no berço o infinito,
Manso, quente, e no ventre o brilho.
Dá a luz. És a luz! Luz mais clara.
Mãe! Palavra que prospera em rito,
Espelho dos meus dias de saber filho
E que o silêncio não fala, escancara.
(VFM)
AFLORISMO
O sol amanhece nos olhos porque os sonhos já cansaram de escuridão. Vá vivê-los! Aproveita a luz do livro em branco, põe grande o teu sonho em cor, a Poesia nasce do nada, até quando é menor o teu tudo.
(VFM)
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
NANOCONTO
Reino Animal 13
O clima já não estava bom, o urso polar deu um gelo na estrela Ursa Maior.
(VFM)
terça-feira, 8 de outubro de 2013
Frase de Protesto 57
NO BRASIL É ASSIM:
A polícia passa o "Para Casa" aos professores valendo 5 pontos... na testa.
(VFM)
Frase de Protesto 56
NO BRASIL É ASSIM:
Político não faz carreto, mas se encarrega de foder a gente.
(VFM)
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
MICROCONTO
Manicures
No salão são amigas de carne e unha, mas estão se lixando com as clientes.
(VFM)
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
Frase de Protesto 55
NO BRASIL É ASSIM:
A madeira é de lei, mas de pouco adianta pra tanto político cara de pau.
(VFM)
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
NANICONTO
Infernal
Ela, capetinha, olhos em brasa, cantou o Belzebu ao vê-lo passar:
- Ele é um pão... que o diabo amassou.
(VFM)
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
Frase de Protesto 53
NO BRASIL É ASSIM:
Professor ensina o certo e a polícia passa o corretivo errado.
(VFM)
terça-feira, 1 de outubro de 2013
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
domingo, 29 de setembro de 2013
sábado, 28 de setembro de 2013
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
terça-feira, 24 de setembro de 2013
Frase de Protesto 48
A unidade básica de classificação científica de Político é: pagamento em espécie.
(VFM)
Frase de Protesto 47
Político é frio e calculista pra roubar, mas adora dar aquele abraço caloroso no eleitor.
(VFM)
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
terça-feira, 17 de setembro de 2013
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
MICROCONTO
MANIFESTAÇÃO
Os veganos também foram pra rua com gritos e faixas:
- Pra gente é Free boi!
(VFM)
Frase de Protesto 38
NO BRASIL É ASSIM:
Político tem escrito na testa CORRUPTO, mas infelizmente boa parte da população não sabe ler.
(VFM)
terça-feira, 10 de setembro de 2013
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
terça-feira, 3 de setembro de 2013
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
terça-feira, 27 de agosto de 2013
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
sábado, 24 de agosto de 2013
HAICAI
Para meu amigo Fernando Oliveira
Eu aço, eu asso, eu acho,
Que o poema é um picadeiro
Onde brinca o palhaço.
(VFM)
Eu aço, eu asso, eu acho,
Que o poema é um picadeiro
Onde brinca o palhaço.
(VFM)
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
terça-feira, 20 de agosto de 2013
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
MICROCONTO
Necrofilia
Um zumbi vira pro outro:
- Vamos fazer sexo?
- Só por cima do meu cadáver!
(VFM)
Um zumbi vira pro outro:
- Vamos fazer sexo?
- Só por cima do meu cadáver!
(VFM)
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
terça-feira, 13 de agosto de 2013
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
ANEDOTA POLÍTICA
O político encontra uma lâmpada mágica. Mãos à obra e superfaturamento. O gênio muito polido aparece e lhe concede 3 pedidos. O político, ávido, pede:
1 - Quero muito dinheiro.
2- Te dou 2 mil e você me dá mais 3 pedidos.
3 - Quero ser gênio.
(VFM)
domingo, 11 de agosto de 2013
AO DIA DOS PAIS
(Para meu pai Carlos Alberto Magalhães)
É preciso aprender a dizer a palavra pai, como se dissesse a palavra amor, afagando a letra que sobra, mas que na palavra que se ausenta a letra é a que a vivifica.
É preciso aprender a ser pai, ciente do destino de multiplicar teu sangue ao sabor de outra vida.
É preciso, além de tudo, saber que é filho, e também é fruto de uma árvore que te acolhe, ensombra de carinhos, movimenta de dizeres e aventuras, incentiva pisar no vento e beber a terra e, principalmente, quer lhe ver sempre prosperar.
É preciso aprender a dizer a palavra pai: PAI!
(VFM)
É preciso aprender a dizer a palavra pai, como se dissesse a palavra amor, afagando a letra que sobra, mas que na palavra que se ausenta a letra é a que a vivifica.
É preciso aprender a ser pai, ciente do destino de multiplicar teu sangue ao sabor de outra vida.
É preciso, além de tudo, saber que é filho, e também é fruto de uma árvore que te acolhe, ensombra de carinhos, movimenta de dizeres e aventuras, incentiva pisar no vento e beber a terra e, principalmente, quer lhe ver sempre prosperar.
É preciso aprender a dizer a palavra pai: PAI!
(VFM)
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
terça-feira, 6 de agosto de 2013
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
MICRONOVELA PÚBLICA
No hospital público, paciente, o enfermo espera. Um vulto branco lhe passa afoito.
Gritos percorrem o longo corredor. O eco é testado. O doente sofre de angústia. Mais de 3 horas na mesma posição. A mulher ao lado na mesma. O fantasma passa sem vê-los. Logo a moçoila lhe diz a palavra que lhe estremece, que lhe instiga e revolta...(SUSpense).
(VFM)
quarta-feira, 31 de julho de 2013
CONTINHO
Marinheiro
O Olhar à deriva. Sua vida não era um mar de rosas. Vivia numa maré de azar.
(VFM)
O Olhar à deriva. Sua vida não era um mar de rosas. Vivia numa maré de azar.
(VFM)
terça-feira, 30 de julho de 2013
Frase de Protesto 30
Ocupar é necessário e bem feito, mas nossa liderança capenga é pré-feito.
(VFM)
#OcupaBH
segunda-feira, 29 de julho de 2013
sexta-feira, 26 de julho de 2013
quinta-feira, 25 de julho de 2013
NANICONTO
PELO DIA DO ESCRITOR!
Escritor
O silêncio falava mais alto, mas sempre foi um homem de palavra.
(VFM)
Escritor
O silêncio falava mais alto, mas sempre foi um homem de palavra.
(VFM)
quarta-feira, 24 de julho de 2013
Frase de Protesto 29
Tem muito político que aproveita a vinda do Papa pra entregar santinho de 2014.
(VFM)
terça-feira, 23 de julho de 2013
segunda-feira, 22 de julho de 2013
sábado, 20 de julho de 2013
quinta-feira, 18 de julho de 2013
Frase de Protesto 22
Político de boca-cheia:
Maior barato ser corrupto! Custa tanto ser honesto!
(VFM)
quarta-feira, 17 de julho de 2013
terça-feira, 16 de julho de 2013
segunda-feira, 15 de julho de 2013
domingo, 14 de julho de 2013
sexta-feira, 12 de julho de 2013
quinta-feira, 11 de julho de 2013
quarta-feira, 10 de julho de 2013
terça-feira, 9 de julho de 2013
segunda-feira, 8 de julho de 2013
sábado, 6 de julho de 2013
sexta-feira, 5 de julho de 2013
quinta-feira, 4 de julho de 2013
quarta-feira, 3 de julho de 2013
Frase de protesto 9
Antigamente sacanagem era algo pornô. Hoje a sacanagem é um gozo político.
(VFM)
terça-feira, 2 de julho de 2013
segunda-feira, 1 de julho de 2013
sexta-feira, 28 de junho de 2013
MICROCONTO DE PROTESTO
Festa Junina
- Olha a cobra?
- É Mentira, Feliciano!
- Pula a fogueira!
- É vandalismo!
- É quadrilha?
- É manifestação!
(vfm)
- Olha a cobra?
- É Mentira, Feliciano!
- Pula a fogueira!
- É vandalismo!
- É quadrilha?
- É manifestação!
(vfm)
quinta-feira, 27 de junho de 2013
terça-feira, 25 de junho de 2013
sábado, 22 de junho de 2013
sexta-feira, 21 de junho de 2013
quinta-feira, 20 de junho de 2013
quarta-feira, 19 de junho de 2013
PROTESTA BH!
O Gigante Acordou
Bala de borracha
Não apaga o povo.
O verso na faixa:
"Vamos para a rua!"
O protesto continua
De novo e de novo.
(VFM)
Bala de borracha
Não apaga o povo.
O verso na faixa:
"Vamos para a rua!"
O protesto continua
De novo e de novo.
(VFM)
terça-feira, 18 de junho de 2013
sexta-feira, 14 de junho de 2013
quarta-feira, 12 de junho de 2013
terça-feira, 11 de junho de 2013
sábado, 8 de junho de 2013
sexta-feira, 7 de junho de 2013
HAICAI
Hoje completa 24 anos sem o poeta Paulo Leminski. Uma homenagem à maneira dele:
Meio a meio
O coração:
Amei-o.
(VFM)
Meio a meio
O coração:
Amei-o.
(VFM)
CONTINHO
Quem bebe muito uísque é o que?
U isqueiro. Por isso está sempre de fogo.
(VFM + Fabiana Bergamini)
U isqueiro. Por isso está sempre de fogo.
(VFM + Fabiana Bergamini)
quinta-feira, 6 de junho de 2013
quarta-feira, 5 de junho de 2013
terça-feira, 4 de junho de 2013
segunda-feira, 3 de junho de 2013
sábado, 1 de junho de 2013
sexta-feira, 31 de maio de 2013
NANOCONTO
Músicos
- Vou tocando a vida, sem dó!
- Sem sol é mais frio!
- Lá longe né?!
- Deixa de mimimi!
- Você é cheio de si!
(VFM)
quarta-feira, 29 de maio de 2013
terça-feira, 28 de maio de 2013
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Marmóreo
Esculpido nas mãos,
Talhado nos olhos,
Cinzelado na língua,
O tempo inacabado
Do teu corpo eterno.
(VFM)
quinta-feira, 23 de maio de 2013
quarta-feira, 22 de maio de 2013
segunda-feira, 20 de maio de 2013
sexta-feira, 17 de maio de 2013
quinta-feira, 16 de maio de 2013
quarta-feira, 15 de maio de 2013
terça-feira, 14 de maio de 2013
segunda-feira, 13 de maio de 2013
sexta-feira, 10 de maio de 2013
quinta-feira, 9 de maio de 2013
quarta-feira, 8 de maio de 2013
MICROCONTO
CONVERSA POLÍTICA
Político 1: Precisamos conversar sobre aquela contratação...
Político 2: Aí são outros 500.
(VFM)
terça-feira, 7 de maio de 2013
PROCESSO SELETIVO:
Qual a in-disciplina que você deseja cursar no Congresso Nacional:
a) Peculato e outros penduricalhos na contemporaneidade
b) Estudos da Retórica em subterfúgios anódinos
c) Métodos e práticas do embuste diante do povo
d) Tendência política comparada ao crime habitual
e) Poéticas da canalhice e o cânone Sarney
(VFM)
QUADRA POLÍTICA
Não é nada pessoal
Furtar um trocadinho.
Não me levem a mal,
O cofre está cheiinho.
(VFM)
segunda-feira, 6 de maio de 2013
sexta-feira, 3 de maio de 2013
CONTO NANICO
Bang-Bang
Andando pelo faroeste, o médico indaga ao pistoleiro:
- Então, melhorou do problema?
- Foi tiro e queda, doutor!
(VFM)
quinta-feira, 2 de maio de 2013
quarta-feira, 1 de maio de 2013
NANOCONTO
Dia do Trabalhador
Os urubus tranquilos confabulando... E eu atarefado, com a corda no pescoço.
(VFM)
terça-feira, 30 de abril de 2013
NANICONTO
Florescer
A flor pergunta:
- O que você quer ser quando crescer?
E a outra planta
(muda)...
(VFM)
segunda-feira, 29 de abril de 2013
sexta-feira, 26 de abril de 2013
quinta-feira, 25 de abril de 2013
quarta-feira, 24 de abril de 2013
terça-feira, 23 de abril de 2013
segunda-feira, 22 de abril de 2013
MINICONTO DO DESCOBRIMENTO DO BRASIL
22 de abril
Desde 1500, o Brasil deu um mau jeito e ficou cabresto.
(VFM)
sexta-feira, 19 de abril de 2013
quinta-feira, 18 de abril de 2013
quarta-feira, 17 de abril de 2013
terça-feira, 16 de abril de 2013
INFÂNCIA
guardo da infância
meu correr alado.
guardo da infância
tua sombra ao lado.
guardo da infância,
que o tempo definha,
guardo da infância,
a tua mão na minha.
(VFM)
segunda-feira, 15 de abril de 2013
sexta-feira, 12 de abril de 2013
MICROCONTO
MILLORIANA
Meu epitáfio: to fora.
Meu epitáfio: saí para almoçar.
Meu epitáfio: volto logo não.
(VFM)
quinta-feira, 11 de abril de 2013
quarta-feira, 10 de abril de 2013
terça-feira, 9 de abril de 2013
QUADRA
Há nos bicos dos peitos,
Há nos picos do deleite,
Há dois fícus estreitos
E minha língua d'enfeite.
(VFM)
segunda-feira, 8 de abril de 2013
sexta-feira, 5 de abril de 2013
quinta-feira, 4 de abril de 2013
quarta-feira, 3 de abril de 2013
terça-feira, 2 de abril de 2013
segunda-feira, 1 de abril de 2013
CONTINHO
1º de Abril
Um político vira pro outro:
- Leio sempre para o meu filho a história do Pinóquio.
- Sério?! Que bom!
- Assim ele aprende que esse tá na pior, pois além de mentiroso é cara de pau.
(VFM)
sábado, 30 de março de 2013
quinta-feira, 28 de março de 2013
TRAVA-LÍNGUA
troca troca de palavras
troca troca de poemas
troca troca as larvas
troca troca os fonemas.
troca troça trova lavras
troca tromba os problemas?
(VFM)
quarta-feira, 27 de março de 2013
segunda-feira, 25 de março de 2013
sexta-feira, 22 de março de 2013
quinta-feira, 21 de março de 2013
quarta-feira, 20 de março de 2013
terça-feira, 19 de março de 2013
segunda-feira, 18 de março de 2013
sexta-feira, 15 de março de 2013
quinta-feira, 14 de março de 2013
14 DE MARÇO! DIA NACIONAL DA POESIA!
Um poema em encômio:
Quadra
O amor é um naufrágio!
O Poeta é um aprendiz.
Minha boca é tão frágil,
Que se afoga no que diz.
(VFM)
Quadra
O amor é um naufrágio!
O Poeta é um aprendiz.
Minha boca é tão frágil,
Que se afoga no que diz.
(VFM)
quarta-feira, 13 de março de 2013
terça-feira, 12 de março de 2013
segunda-feira, 11 de março de 2013
domingo, 10 de março de 2013
quinta-feira, 7 de março de 2013
quarta-feira, 6 de março de 2013
MINICONTO
BIOLOGIA
Durante a aula de ictiologia, Joquinha pergunta :
- Professora! Pacu traíra dá?
(VFM)
terça-feira, 5 de março de 2013
HAICAI
Inspirado em Cassiano Ricardo
A boca pergunta: onde?
O teu olhar toma voo
E não me responde.
(VFM)
sexta-feira, 1 de março de 2013
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
MARÉS
As franjas d'águas
escondem o teu rosto
em um novelo de lágrimas,
permitindo ver-te, quando
o silêncio se afasta,
as ondas do teu sorriso.
O que me mata é
não saber viver em
tuas marés.
(vfm)
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
MICROCONTO
Ligue 193
O corpo de bombeiros: Sarado, 1,80 de sensualidade, pronto para não deixar o fogo na sua cama apagar.
(VFM)
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
Fragmentos e Poemas Memoráveis
Após tanto tempo sem abrir esta sessão. Volto com um capítulo belíssimo que merece ser lido e relido.
Ouvimos passos no corredor; era D. Fortunata. Capitu compôs-se depressa, tão depressa que,
quando a mãe apontou à porta, ela abanava a cabeça e ria. Nenhum laivo amarelo, nenhuma
contração de acanhamento, um riso espontâneo e claro, que ela explicou por estas palavras alegres:
--Mamãe, olhe como este senhor cabeleireiro me penteou; pediu-me para acabar o penteado, e fez
isto. Veja que tranças!
--Que tem? acudiu a mãe, transbordando de benevolência . Está muito bem, ninguém dirá que é de
pessoa que não sabe pentear.
--O que, mamãe? Isto? redargüiu Capitu, desfazendo as tranças. Ora, mamãe!
E com um enfadamento gracioso e voluntário que às vezes tinha, pegou do pente e alisou os cabelos
para renovar o penteado. D. Fortunata chamou-lhe tonta, e disse-me que não fizesse caso, não era
nada, maluquices da filha. Olhava com ternura para mim e para ela. Depois, parece-me que
desconfiou. Vendo-me calado, enfiado, cosido à parede, achou talvez que houvera entre nós algo
mais que penteado, e sorriu por dissimulação...
Como eu quisesse falar também para disfarçar o meu estado, chamei algumas palavras cá de dentro,
e elas acudiram de pronto, mas de atropelo, e encheram-me a boca sem poder sair nenhuma. O beijo
de Capitu fechava-me os lábios. Uma exclamação, um simples artigo, por mais que investissem
com força, não logravam romper de dentro. E todas as palavras recolheram-se ao coração,
murmurando: "Eis aqui um que não fará grande carreira no mundo, por menos que as emoções o
dominem..."
Assim, apanhados pela mãe, éramos dous e contrários, ela encobrindo com a palavra o que eu
publicava pelo silêncio. D. Fortunata tirou-me daquela hesitação, dizendo que minha mãe me
mandara chamar para a lição de latim; o Padre Cabral estava à minha espera. Era uma saída;
despedi-me e enfiei pelo corredor. Andando, ouvi que a mãe censurava as maneira da filha, mas a
filha não dizia nada.
Corri ao meu quarto, peguei dos livros, mas não passei à sala da lição; sentei-me na cama,
recordando o penteado e o resto. Tinha estremeções, tinha uns esquecimentos em que perdia a
consciência de mim e das cousas que me rodeavam, para viver não sei onde nem como. E tornava a
mim, e via a cama, as paredes, os livros, o chão, ouvia algum som de fora, vago, próximo ou
remoto, e logo perdia tudo para sentir somente os beiços de Capitu Sentia-os estirados, embaixo dos
meus, igualmente esticados para os dela, e unindo-se uns aos outros. De repente, sem querer, sem
pensar, saiu-me da boca esta palavra de orgulho:
--Sou homem!
Supus que me tivessem ouvido, porque a palavra saiu em voz alta, e corri à porta da alcova. Não
havia ninguém fora. Voltei para dentro, e, baixinho, repeti que era homem. Ainda agora tenho o eco
aos meus ouvidos. O gosto que isto me deu foi enorme. Colombo não o teve maior, descobrindo aAmérica, e perdoai a banalidade em favo; do cabimento- com efeito, há em cada adolescente um
mundo encoberto, um almirante e um sol de outubro. Fiz outros achados mais tarde; nenhum me
deslumbrou tanto. A denúncia de José Dias alvoroçara-me, a lição do velho coqueiro também, a
vista dos nossos nomes aberto por ela no muro do quintal deu-me grande abalo, como vistes; nada
disso valeu a sensação do beijo. Podiam ser mentira ou ilusão. Sendo verdade, eram os ossos da
verdade, não eram a carne e o sangue dela. As próprias mãos tocadas, apertadas, como que
fundidas, não podiam dizer tudo.
--Sou homem!
Quando repeti isto, pela terceira vez, pensei no seminário, mas como se pensa em perigo que
passou, um mal abortado, um pesadelo extinto; todos os meus nervos me disseram que homens não
são padres. O sangue era da mesma opinião. Outra vez senti os beiços de Capitu. Talvez abuso um
pouco das reminiscências osculares, mas a saudade é isto mesmo; é o passar e repassar das
memórias antigas Ora, de todas as daquele tempo creio que a mais doce é esta, a mais nova, a mais
compreensiva, a que inteiramente me revelou a mim mesmo. Outras tenho, vastas e numerosas,
doces também, de vária espécie, muitas intelectuais, igualmente intensas. Grande homem que fosse,
a recordação era menor que esta.
Livro: Dom Casmurro
Autor: Machado de Assis (1839-1908)
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
BRINCOS
A luz das estrelas
Bem vermelhas,
Impossível de vê-las
Nas orelhas,
Cobertas pelo teu mel,
Botão da flor,
Não estão lá no céu,
Mas em ti, amor.
(VFM)
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
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