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sexta-feira, 9 de novembro de 2018

SONETO BOÇAL


Mal entrou o Bozo e seu governo,
Já estamos vendo a destruição:
Ministros prenhes de corrupção!
Entrai, irmãos, ao tempo do inferno.


Inventaram por si só um kit gay;
O meio ambiente ficou pro gado;
Caixa 2 pro juiz é desculpado
E fica o Temer porque "eu mudei!".

O Brasil agora é de igreja.
Damos cruz e armas a quem almeja
E fazemos um povo idiota.

Viva a família! Viva o Frota!
Adeus ao Ministério do Trabalho.
E nos trouxas onde vai o caralho?!

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Se enQUADRA Mané


É triste! Falta vergonha a uma parte,
Eles não ligam mesmo não ver um debate,
Querem ver comunistas indo pra Marte
E um governo que não resolve, bate.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

UM ESTUDO EM VERMELHO


A procura do que nos assemelha:
A paixão que o tupi deu - urucum,
O rubor tropical de cada um.
Tá no nosso sangue a cor vermelha.

Diga: qual o problema do vermelho?
Um país em que a mistura alenta,
O Amor é amarelo e magenta,
O respeito está além do espelho.

Vamos colocar na boca o carmim,
Marcar a rosa do povo com rubi,
Tingir a paz com o melhor de ti,
O bem é pra todos e não só pra mim.

Do branco, do preto, do novo, do velho
É o amor que deve vir primeiro,
Não ódio pintado no brasileiro.
Diga: qual o problema do vermelho?

#Elenão


O Brasil tá ficando demente.
Tem candidato de cara lisa
Que vê no ódio a sua camisa
E nisso quer ser o presidente.

O ditador sobe nas pesquisas.
Mal sabe o povo que ele mente.
Diz só merdas, pobre da Anvisa!
O Brasil tá ficando doente.

Trouxas de verde e amarelo
Com medo da foice e martelo
Vão perdendo de toda a razão.

O seu vice um vil carniceiro
Quer sacanear o brasileiro,
Mas nós temos salvação: #Elenão!
Acho que é hora de dormir. É tarde. Não sei calcular a hora dos sonhos, o mês de outubro que adentra como um gato na sombra da gente.

Um silêncio me rodeia. Um intolerável sono quer me libertar da humanidade. Mas acho que no lugar dessa ferida que fecha os olhos feito um armazém, há uma cerimônia única escrita nas camas. Um vulto solitário que pouco uso.

Acho que é hora de dormir. É tarde. Há outros desejos me crescendo. Mas acho que o sonho quer me dominar com a sua impertinente teimosia.
Sou todo noite
Quando tua boca
Não me atravessa
Diariamente.
O despertar é sempre
Um apocalipse.

terça-feira, 2 de outubro de 2018

OS PÉS


Os pés têm vocação para fazer saudade. Mesmo juntos dialogam expansivos. Lado a lado marcam sua voz. Questionam sob o domínio da razão. Cosmificão aquela posição dramática. Unem-se naquele incômodo aspecto. Talvez se entendam. Montam banca. Estrutura poética. Param juntinhos. Descansam também separados. "PRONDE VAMOS?", dizem unificando o discurso. Aparentemente duvidam do caminho. O medo que vem defronte. Estampam no solado o fragmento do início e o destinatário da saída. Ou volta a volta a volta. Quiçá a nunca ida. Os pés vizinhos. Os pés irmãos. Os pés demarcando fronteiras. Um quer ser a terceira pessoa da narração, outro o aparecimento do eu. Mas contraditoriamente não se separam. Como locutores de situações extremas seguem vistos pela sociedade Unidos. A preocupação de quem vê é a eficácia de deixar eles assim: perdidos. Personificados. Batendo o pé. Juntos! 

Ahhhhhh! Mas quando brigam... pisoteiam a verdade e na ponta do pé botam calçado nas mentiras. Mas quão fácil é identificar a busca passo a passo um pelo outro. Um limpa no tapete o livro mal aproveitado. Outro sucessivamente na frequência do espelho renega seus cacos. Metemos o pé na jaca, o pé na porta, troca as mãos pelos pés e pé na tábua. Que pé que não briga com outro? Querem sentir saudade. Afastam-se na necessária extensão da distância. E se há distância medimos o tamanho do quarto. O espaço para caber a cama. Separam-se para se conhecer. Ajudam um ao outro na prevenção dos abismos. Vão pulando os erros homologados. Um quer fazer do outro a vida mais lenta. Quem não quer uma pausa para dar importância a música? Quem não quer fazer o erótico a fuga e a chamada do prender-se?

Os pés têm relação estabelecida. Os pés têm erros. Esse texto tem erros. Os passos se erram. Somos errantes muitas vezes. É a natureza do duplo. A outridade simétrica da sombra. Quando um vai o outro se transporta. Vamos atrás desse diálogo especular. Vamos, pois, além dos pés. Uma briga que nos move. Uma caminhada da aprendizagem. Vamos na perspectiva do incrível momento da chegada. Do parar lado a lado e dizer a cada pé, e na interseção a qual consideramos, que conseguimos vencer o inimigo do passado. Ficou pra trás a evidência do antes. No entanto, podemos dar um passo atrás para recuperar melhor o personagem. Deve-se assim sempre dar um passo à frente para o irresistível desejo de andar mais para frente para conquistar sempre. E mesmo os pés parados, é uma indicação de que a saudade é uma eternidade imaginária. Os pés juntos descansam na morte. Os pés sabem fazer pausas na vida para particularmente demarcarem a sua história. Por isso sao pés. Por isso fazem parte de nós. Assim a pé vamos!

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Para os 70 anos de Caio Fernando Abreu


Apaixonar-se é levantar
Um poema ao íngreme do coração
E depois saber que estamos
Condenados, por fim,
A sorrir, nos próximos dias,
Ao lado das viúvas no
Reflexo dos óculos escuros.
Apaixonar-se é permanecer
Entre os vivos diante
Das sombras das ruas vazias.
Vamos nos afastando
De nós mesmos, sabendo
Que a incerteza nos separa.
Apaixonar-se é fazer
Um poema já desarrumado.

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

INQUILINO



O amor se hospeda
No quarto de cima.
Não paga aluguel
Há anos. Mas não
Se deve cobrar do
Amor sua infância
Perdida pelos
Cômodos. O que
Se deve pedir
É para parar de
Arrastar as
Recordações
Como uma ferida
No assoalho do peito
E economizar
No banho que dá
Aos apaixonados,
Desperdiçando
Pelos olhos sua
Saída infinita
Para comprar
As frustrações.

quinta-feira, 26 de julho de 2018

CONTAS


Já não pago mais as contas.
Ah, mãe! Venda o que achar.
Já tô com as malas prontas
Vou embora pra algum bar.

Sei que serei um boêmio
Bem eleito pelo povo,
E se eu vencer de novo
Ganho uma conta de prêmio.

Na vida paga-se tudo,
Nem morrer é de graça.
O médico foi bem rudo,
A dor do tapa não passa.

Tento. Por mais que trabalhe
Tenho que pagar quem devo.
Tento. Por mais que eu fale
Dívidas são o que escrevo.

Nada mesmo afugenta
Os credores, os carteiros.
Sorrir não é ferramenta
Para pagar os primeiros.

Toda conta é tortura,
Grande tristeza extrema.
Conserve, mãe, a fatura
Como último poema.

DIA DO ESCRITOR



O branco ofuscante do papel vazio dormia nas mãos inconfessas. O lápis descia uma oitava para que a frase surgisse três compassos depois. E foi assim que ele se descobria, com olhos e mãos patinhando nas ingrediências da poesia.

terça-feira, 24 de julho de 2018

segunda-feira, 11 de junho de 2018

SILÊNCIO


Pensar em silêncio
O ruído que rói o homem,
A palavra estonteada
Do tempo.
O silêncio dos terraços
Pelo lado de dentro,
Pelo lado de dentro
Da gente.
O terrível silêncio
Subterrâneo do grito.
Acordemos as vozes
Dos mortos,
Árvores caladas.
Pensar em silêncio
A cidade debaixo
Do passado,
Antes que se extinga,
Durante os meses
Da fala, o mais remoto dom:
O silêncio

terça-feira, 29 de maio de 2018

NA ESTRADA


Li num parachoque de caminhão:

"A saudade anda abastecendo minhas ilusões, mas não se preocupe porque nessa velocidade o coração está preparado para os desastres".

Não tenho muita certeza se estava escrito isso mesmo. Eu mijava na beira da estrada e escrevia meu nome para ver se nasciam flores.

Ouvi a buzina decapitando o silêncio e aquele turbilhão atropelou minhas ideias.

Sou um pouco míope e do que ficou do caminhão foi não saber do seu destino, assim como não sei o meu, mas são lugares para conquistar a própria mágoa.

E acidentalmente tomamos uma multa por pensar em amor em plena luz do dia.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

QUADRA



Tenho olhos habituados aos choros,
Diante duma constelação que delira.
Creio que nos olhos a lua adquira
A força das lágrimas: dos meteoros!

quinta-feira, 19 de abril de 2018

MINHA PASÁRGADA



(Aos 132 anos do Manuel Bandeira)

Quando eu tinha seis anos
Ganhei um passeio pra Pasárgada.
Que dor me dava na máquina dos olhos.
Porque Pasárgada era um quarto
Descascado no ramo de um orfanato.
Levaram-me com raízes queimadas
Pras chuvas loucas e camas
Rangentes de violinos.
Eu não gostava dos espelhos vigilantes.
Queria era estar nas alegrias
Extáticas e azuis dos passarinhos.
Pasárgada devorava com relâmpagos
minhas inúmeras letrinhas.

- Pasárgada foi a terra do rei e minha
tristeza aplainada de poeta.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

30 DIAS


P/ #Marielle

30 dias sem notícias,
Fica só sua ausência de resposta.
30 dias sem regresso
E muitas coisas sentem sua falta.
30 dias sem você
Para organizar a minha solidão.
30 dias sem sorrisos
E os instantes apertam minhas mãos.
30 dias de espera
Já que a rua dura muito tempo ainda.
30 dias doloridos
E o teu nome está cansado nos relógios.
30 dias de verdade
Para uma verdade que ninguém revela.