terça-feira, 30 de janeiro de 2018
MICROCRÔNICA POLÍTICA
O Ministério doTrabalho está a ver navios, enquanto o povo se afunda no desemprego.
segunda-feira, 29 de janeiro de 2018
PARRAR
Para Nicanor Parra
Ele partiu e não pagou a conta,
Deixando-nos com todo tipo de poemas;
O cigarro aceso em cima do aquário
Para alimentar o vício do peixe imaginário.
Mais de um século de dívidas acumulou
Junto com as alfaces presas nos dentes.
Entendíamos que sofria de uma hérnia de disco andina.
Adorava Violeta e vivia aos cântaros chorando vinho.
Ele não tinha conserto. O seu relógio desleal
Marcava certas horas do infalível.
Chegava sempre de algum horizonte pecador,
Rindo como os sapos com a sorte grande dos príncipes.
O garçom nos olhava com temperamento ineficaz,
Tratando de enxergar o túmulo invisível.
O dono do estabelecimento nos perguntava
Por ele com sua gravata estúpida e sombra demoníaca.
Não queríamos dizer que ele não tinha pago a conta.
Arcamos com a dor da sua ausência e
Do seu copo de antipoesia pela metade do terço.
Estávamos cientes de que ele foi verter arquivos em nuvens esquecidas
Sem nos deixar, pelo menos, a gorjeta das suas últimas palavras.
(VFM)
POEMA BURLESCO
para Nz Braga
A gente perde o copo não o amigo.
Desculpe por estragar sua engenharia
Construída nos bares e sábio abrigo.
Sou um ébrio bebedor da sua poesia.
A gente não perde porre só amores.
Meu bom amigo, não esqueça tampouco
A filosofia vive de dissabores
E nosso coração é louco, tão louco.
Estimo sua companhia, ela importa
Para curar a ressaca, a sua nobre,
A minha tola de um poeta jeca.
No final das contas a gente suporta.
Enriqueço-me de ti já que sou pobre
e sou eu quem fica nisso mais careca.
(VFM)
quinta-feira, 18 de janeiro de 2018
sexta-feira, 12 de janeiro de 2018
DESPEÇO-ME
Despeço-me com rugas no rosto
E com o meu coração pueril.
Despeço-me perdendo o posto
Atrás de uma guerra que ninguém viu.
Aproveito assim nesse meu adeus,
Para quem maltratou os meus lábios,
Deixar meus pertences junto aos teus
E os livros dos mais caros sábios.
Vou partir com mil sorrisos falsos,
Pois quero seguir outro caminho
Sem levar de todo um passado.
Despeço-me. Já estou atrasado.
Sigo agora melhor sozinho
Sem bagagem e olhos descalços.
(VFM)
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