quinta-feira, 7 de maio de 2015

foi aquele pepino que me violou, mãe. ele me profetizou com esperanças verdejantes e me contou, como um anjo, que assim eu chegaria ao futuro. Meu sangue fluiu e uma linha me puxou a rede fazendo com que os cardumes crescessem na terra a primavera do meu existir.
(VFM)

quarta-feira, 6 de maio de 2015

MICROCRÔNICA POLÍTICA


Fico com o coração partido porque não faço parte de panelinhas.

(VFM)

JANELA FECHADA


A janela fechada
É uma estátua que
O vento molda
Com a mão do sol,
Tintas secretas da lua
E a poeira vaidosa
Da chuva que não
Alcançam você.
(VFM)

terça-feira, 5 de maio de 2015

AS CHUVAS ELEGEM AS CIDADES


As chuvas elegem as cidades
Para curar as verbenas,
Mas o contraste é de ferro,
Pó e leões de concreto.
Estão sufocadas as pombas,
As pétalas cansadas e os
Rios esperam anos o ônibus.
As chuvas elegem as cidades
Por se sentirem sozinhas.
Querem elas a companhia dos
Esqueletos e escuras avenidas.
Talvez por isso foram eleitas,
Pois em cada guarda-chuva
De argila há um corpo
Para receber as honras
Em tempos de olhos suicidas.

(VFM)

POEMA VISUAL


segunda-feira, 4 de maio de 2015

BRINQUEDO


Na sua sede de brincar, com os olhos amigavelmente no céu e, hora ou outra, travessos na rua maltratada de sol, ele molhava os lábios rachados de desejo e sorria, como primeiro vento, um pedido à mãe:
- Será que hoje posso brincar de caminhão-pipa?
A mãe consentiu no seu extremo vazio e desânimo. A criança pegou o balde e lhe amarrou a linha e, alígero para dar voo àquele céu sem nuvem e se queimar naquela rua nua, foi cortar sua infância ainda com tão poucas escamas. Voltou após um canto de ocaso da mãe com os olhos cheios de água e boiando alguma solução para seu amanhã.
O caminhão-pipa era sua fonte de diversão momentânea. Nele a criança escoava os seus anos. O cerol do seu dia a dia lhe cortava as asas em pequenas felicidades. A criança, por um tempo, criava sua própria história. A mãe não teria mais porquê chorar, ou até choraria diante de pratos limpos e panelas ferventes.
A sede de brincar permaneceria, mas até quando? O caminhão-pipa, assim como a vida, é temporário. A criança é um brinquedo de água que não se repete.

(VFM)

HAIKAI


Oh dia do trabalho:
Na carteira assinada
Escrito paspalho.