terça-feira, 9 de outubro de 2018

Sou todo noite
Quando tua boca
Não me atravessa
Diariamente.
O despertar é sempre
Um apocalipse.

terça-feira, 2 de outubro de 2018

MICROCRÔNICA POLÍTICA


Meu medo é ver muita gente colocar nas urnas o resto das cinzas da democracia.

 #EleNão

OS PÉS


Os pés têm vocação para fazer saudade. Mesmo juntos dialogam expansivos. Lado a lado marcam sua voz. Questionam sob o domínio da razão. Cosmificão aquela posição dramática. Unem-se naquele incômodo aspecto. Talvez se entendam. Montam banca. Estrutura poética. Param juntinhos. Descansam também separados. "PRONDE VAMOS?", dizem unificando o discurso. Aparentemente duvidam do caminho. O medo que vem defronte. Estampam no solado o fragmento do início e o destinatário da saída. Ou volta a volta a volta. Quiçá a nunca ida. Os pés vizinhos. Os pés irmãos. Os pés demarcando fronteiras. Um quer ser a terceira pessoa da narração, outro o aparecimento do eu. Mas contraditoriamente não se separam. Como locutores de situações extremas seguem vistos pela sociedade Unidos. A preocupação de quem vê é a eficácia de deixar eles assim: perdidos. Personificados. Batendo o pé. Juntos! 

Ahhhhhh! Mas quando brigam... pisoteiam a verdade e na ponta do pé botam calçado nas mentiras. Mas quão fácil é identificar a busca passo a passo um pelo outro. Um limpa no tapete o livro mal aproveitado. Outro sucessivamente na frequência do espelho renega seus cacos. Metemos o pé na jaca, o pé na porta, troca as mãos pelos pés e pé na tábua. Que pé que não briga com outro? Querem sentir saudade. Afastam-se na necessária extensão da distância. E se há distância medimos o tamanho do quarto. O espaço para caber a cama. Separam-se para se conhecer. Ajudam um ao outro na prevenção dos abismos. Vão pulando os erros homologados. Um quer fazer do outro a vida mais lenta. Quem não quer uma pausa para dar importância a música? Quem não quer fazer o erótico a fuga e a chamada do prender-se?

Os pés têm relação estabelecida. Os pés têm erros. Esse texto tem erros. Os passos se erram. Somos errantes muitas vezes. É a natureza do duplo. A outridade simétrica da sombra. Quando um vai o outro se transporta. Vamos atrás desse diálogo especular. Vamos, pois, além dos pés. Uma briga que nos move. Uma caminhada da aprendizagem. Vamos na perspectiva do incrível momento da chegada. Do parar lado a lado e dizer a cada pé, e na interseção a qual consideramos, que conseguimos vencer o inimigo do passado. Ficou pra trás a evidência do antes. No entanto, podemos dar um passo atrás para recuperar melhor o personagem. Deve-se assim sempre dar um passo à frente para o irresistível desejo de andar mais para frente para conquistar sempre. E mesmo os pés parados, é uma indicação de que a saudade é uma eternidade imaginária. Os pés juntos descansam na morte. Os pés sabem fazer pausas na vida para particularmente demarcarem a sua história. Por isso sao pés. Por isso fazem parte de nós. Assim a pé vamos!

MICROCRÔNICA POLÍTICA


Após denúncias de ex-mulher, Bolsonaro afirma que ela armou pra ele, pois o único patrimônio que tem é sua idiotice.

#elenunca

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

AFLORISMO


Dentro de mim o mar vai me libertando das águas passadas.

Para os 70 anos de Caio Fernando Abreu


Apaixonar-se é levantar
Um poema ao íngreme do coração
E depois saber que estamos
Condenados, por fim,
A sorrir, nos próximos dias,
Ao lado das viúvas no
Reflexo dos óculos escuros.
Apaixonar-se é permanecer
Entre os vivos diante
Das sombras das ruas vazias.
Vamos nos afastando
De nós mesmos, sabendo
Que a incerteza nos separa.
Apaixonar-se é fazer
Um poema já desarrumado.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

terça-feira, 4 de setembro de 2018

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

HAIKAI


Arrasta-se pela sombra
Claramente Eu. Eu mesmo.
E isso me assombra.

INQUILINO



O amor se hospeda
No quarto de cima.
Não paga aluguel
Há anos. Mas não
Se deve cobrar do
Amor sua infância
Perdida pelos
Cômodos. O que
Se deve pedir
É para parar de
Arrastar as
Recordações
Como uma ferida
No assoalho do peito
E economizar
No banho que dá
Aos apaixonados,
Desperdiçando
Pelos olhos sua
Saída infinita
Para comprar
As frustrações.

quinta-feira, 26 de julho de 2018

CONTAS


Já não pago mais as contas.
Ah, mãe! Venda o que achar.
Já tô com as malas prontas
Vou embora pra algum bar.

Sei que serei um boêmio
Bem eleito pelo povo,
E se eu vencer de novo
Ganho uma conta de prêmio.

Na vida paga-se tudo,
Nem morrer é de graça.
O médico foi bem rudo,
A dor do tapa não passa.

Tento. Por mais que trabalhe
Tenho que pagar quem devo.
Tento. Por mais que eu fale
Dívidas são o que escrevo.

Nada mesmo afugenta
Os credores, os carteiros.
Sorrir não é ferramenta
Para pagar os primeiros.

Toda conta é tortura,
Grande tristeza extrema.
Conserve, mãe, a fatura
Como último poema.

DIA DO ESCRITOR



O branco ofuscante do papel vazio dormia nas mãos inconfessas. O lápis descia uma oitava para que a frase surgisse três compassos depois. E foi assim que ele se descobria, com olhos e mãos patinhando nas ingrediências da poesia.

terça-feira, 24 de julho de 2018

MICROCRÔNICA POLÍTICA



Novo Ministro do Trabalho com 24 infrações trabalhistas é empossado por saber dar trabalho ao MP.

AFLORISMO



Dai aos encontros a condição de te dizer que o amor existe e que não passei pela vida sem te ver.

DIA DO ROCK


Com seu coração de gelo
A saudade bate
On the rocks.

ARREPARE NÃO


Essas cousas di pueta vêm encravadu na planta du pé. Semente qui a genti pisô ao nascer pras belezuras da eternidade. É um pirigu. Dá febre terçã e paixões pra lua. A gente arrepara nu andar dessis doido avuanu na vida. Algumas bocas mardosa u chama é di peralta. Outros cum muito palavreadu. Todus quando um pueta passa abre roda di medu e fogi prumas páginas di livru.

MINICONTO


Jogador

Pendurou as chuteiras porque andava pisando na bola com o time.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

SILÊNCIO


Pensar em silêncio
O ruído que rói o homem,
A palavra estonteada
Do tempo.
O silêncio dos terraços
Pelo lado de dentro,
Pelo lado de dentro
Da gente.
O terrível silêncio
Subterrâneo do grito.
Acordemos as vozes
Dos mortos,
Árvores caladas.
Pensar em silêncio
A cidade debaixo
Do passado,
Antes que se extinga,
Durante os meses
Da fala, o mais remoto dom:
O silêncio

segunda-feira, 4 de junho de 2018

O poema é um desígno, por vezes, não acontecido, como um casaco esquecido na invenção da cadeira, onde ainda devemos sentar.

PARENTE DO HINO NACIONAL


Ouviram no Ipiranga as bombas tácitas
De um povo em caminhões beligerantes
E o preço da Petrobrás um ágio estúpido
Parou na Shell da Pátria revoltante.

Se o motor tá na anormalidade
Conseguimos empurrar com braço forte,
Em um posto vai parar, ó humanidade,
Pois a gasolina vai cobrir a nossa morte!

Ó Pátria finada
Uma gota pra cada
Salve! Salve!