terça-feira, 15 de setembro de 2009

Miniconto

Nanoconto de hoje:


Insensível

- Eu te amo, amorzinho!
-Fale menos e chupe mais!


(VFM)

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Aforismo

Poderia tudo na vida se repetir da mesma forma outra vez? Então diga que me ama com o estrondo da voz do vento e a força da boca do mar e me deseje com a verdade da alma.


(VFM)

Mais uma Frase

A cada amor, uma amante nos espreita, sempre de forma suspeita. A cada amante, um amor nos espera, com seu olhar traído de fera.

(VFM)

Ad eternum Vovó

Em homenagem

Como precisamos de elogios. Como deles, nós, evitamos falar. Em mera multidão sou ninguém, mas como, para mim, alguém pode ser tão grande e importante. Minha avó era assim. Levava-me aos mais divertidos programas, que todas as crianças me olhavam e diziam: “É um menino de sorte!”. Querer com vó é ter estrelas e navios, figurinhas raras e dois mundos na palma da mão, sonhos realizados. Tudo podia com minha avó: Fazer estripulias avulsas, sem constrangimento.

Avó é sinônimo de obesidade: “Come, netinho, come mais!” Uma desenfreada gulodice provocada. Se não fosse ela, talvez, eu não seria o continente de sabedoria e vivência – da vida- que tenho. Minha avó é mais que um retrato de infância. Minha avó, Elzira, é uma semideusa, que Deus só recolheu para que ela ficasse mais perto dele.

Avó é peça sagrada, já dizia isso desde menino. Mais... vó é imortal, senhores! O alicerce da família, nossa certeza genealógica de felicidade. Vó tem que gritar, anunciar aos ventos. Sempre carreguei nos bolsos seus ensinamentos: Grande somos nós mesmos! Vó também é reclamação: “Cuidado aí, menino!”. Quer prova maior do que a sua segurança? Vó pula distâncias, engole dores, nos salva das pequenas bagunças: “Não fui eu não, vovó!”.

Algo que aprendi é o sentimento de vó: amor puro e pleno. Bem sei que minha avó adorava a vida. Riso era adjetivo de bom dia, boa tarde e boa noite.

Perguntam sobre o infinito? Curto o universo, a alma, o átomo. Realmente é de se esconder, pois é só olhar as avós e o que mais dizer?!

“Minha avó, para muitos, não era ninguém. Mas nunca houve ninguém igual a ela".

(VFM)

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Mais duas Frases

Empolguei em escrever frases, espero que apreciem.

1- Quem não sente dor ao pedir desculpas? Quem não sente culpa ao pedir perdão?

2- Se eu pudesse colocar fogo em todas as mentiras do mundo, que homem se distinguiria?

(VFM)

Frase!

Um erro só cicatriza quando o ódio para de soluçar.


(VFM)

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Crônica no Tribuna Lagoana

Apenas deixamos de ser criança...


Como é bom relembrar estes verdes anos e como é também tão triste. Esquecemos tantas coisas atrás do muro, feito pique-esconde, as cantigas de bom dia e boa noite, alegres e simples, os sonhos de sermos astronautas, atrizes de cinema, super-heróis dos desenhos, dos sabores muito doces, das verduras sem sabores, daqueles dias fantásticos. Apenas deixamos de ser criança?

Talvez tudo tenha sido levado junto com o vento e as pipas coloridas ou, quem sabe, continuam flutuando como nossas espaçonaves dentro das nuvens? “Olha um elefante!”, “Ali é um urso fofinho!”, assim desenhávamos no céu ensolarado, deitados na grama molhada, com os umbigos à mostra e os braços cheios de formigas bravas. Além disso, ouvíamos do tio perverso “Faz bem pras vistas!”, só para nos ver mastigando de todo tipo de inseto amargo. E quando corríamos pelas ruas, enlouquecidos, tocando a campainha dos outros, mais velozes que maratonistas, mais peraltas que os macacos em cada galho do zoológico. Bom também era voltar sujo para casa, ouvir os xingos da mãe e rir dos rolinhos na cabeça da vovó.

A vida seguia sem muitas preocupações, mas com ocupações exatas: brincar, brincar e brincar. Muito futebol, com ou sem meia, na praça, até arrancar a tampa do dedão do pé e chorar para alguém ver e nos consolar. Muitos jogos de queimada, muito cabelo queimado quando roubávamos aquela caixinha de fósforos. Bonecos e bonecas aos montes, companhias de quarto e terreiro, aventureiros de escadas, sofás e morrinhos de barro. Tempos de muitos amigos... Até imaginários!

Comidinhas? Já nos empanturramos delas, principalmente das inexistentes, bem como nos enchemos de feridas, piolhos e cataporas. O importante era se divertir e ocupar espaço e fazer barulho e deixar bagunça. Esta coleção de fatos parecia figurinhas do álbum que trocávamos com um pé de sapato do amigo, ou aquele papel de carta perfumado de outra vida.

Tudo era novo, era intenso e era de pedidos. “Mãe! Eu quero isso, mais isso e um monte daquilo”. Exigíamos a metade do universo e nada de não e senão. O certo era chato e o errado era certo e prazeroso. Não sentíamos frio, calor ou essas coisas. Quase nada nos cansava ou nos aborrecia, somente tomar banho, escovar dentes e fazer “o para casa”. A vida era muito complicada... Aos outros, os adultos. Para nós, crianças, a vida era simples, bem simples. Ainda ela continua assim, só que nos esquecemos disso, pois o simples é difícil de executar.

No entanto, mais e mais anos, pulando a corda do tempo e as casas da amarelinha, deixamos as dúvidas nos incomodar. Crescemos. A meninice se desfez e outros monstros começaram a nos assustar, sem cor nenhuma, sem que soubéssemos.

Então, as palmadas mudaram de mãos e as nossas brincadeiras foram juntas com os olhos de raios-X. Ah! Crianças, o que foi que nos aconteceu? O que fizeram de nós? Das bolinhas de gude do Saci? Tentamos reavivar as horas e muitas horas de um dia de criança. As maravilhas de uma época são nossos espelhos, que refletem e refletem as menores coisas de um único instante, que não acontece mais.

Agora, também, choramos, como antigamente...

Enfim, deixemos a bela lembrança descansar. Apenas deixamos de ser criança... Uma nova vida nos chama. Então, vamos lá!

(VFM)