sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Calma

Ao dia de hoje

Quem tem o sortilégio de te amar uma vez,
O antigo amor não vive na corda do talvez.

Um amor que muito, de virtude, nos marca,
Outra mulher, de agora, coitada, não arca,

Em comprar as sombras dos nossos perigos.
Tu deténs, envelhecida, o corvo do medo.

No coração lembrança e esquecimento
São colmeias difusas com poucos amigos.

Amor nobre e duradouro, sem segredo,
"Eu Te Amo" é condensar num momento,

O mais tolo sortilégio de te amar uma vez.
Sê, quem sabe, outro, de maior altivez.

(VFM)

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Desventura

Amar-te é uma grande encrenca
E de mais dura convivência,
Pois no amor - haja paciência!,
Poeta é embarcação perdida.

Na enseada, sereia transitória,
O deslumbramento, inteiramente,
Sem pressentir a tímida dor,
O canto enganado da paixão,
O poeta, transido ao Paraíso
Agreste, acha tudo luminoso.
É alma que nasce e se desprende,
Plena, eternamente terna,
Que, de repente, é negra lágrima;
Amor que louco não futura.

Amar-te é chamar o coração
De mau agouro e triste quimera.


(VFM)

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

MINI CONTOS QUASE "INFANTIS"

Matutando, ontem, durante minha leitura noturna, veio a ideia de mostrar o outro lado dos Contos de Fadas, que tanto escutamos quando infantes. A verdade, às vezes, é dura e pornográfica hahahaha.

1 - Chapeuzinho Vermelho

- Nossa, Vovozinha! que boca tão grande?

- É pra te comer!

- Hum... Prefiro de quatro.


2 - Branca de Neve

- Suruba com no máximo sete, viu?!


3 - Rapunzel



- Puxe minhas tranças e me fode, vai?!


4 - Três Porquinhos

Em coro:

- Adoro "homens" carinhosos, ainda mais esse que bate e depois assopra.


5 - João e o pé de feijão



- Mãe! Troquei nossa vaca por três sementes mágicas e um boquetinho.


6 - João e Maria

A bruxa:

- Me chupem feito doce.


7 - Pinóquio



As meninas adoravam que ele mentisse, principalmente quando ele estava olhando debaixo das saias delas.


8 - Cinderela

Disse a fada madrinha:

- Você será bonita até meia-noite, então faz favor de dar para um homem rico.


9 - Bela Adormecida

Nunca vi gostar de dar dormindo!


10 - Peter Pan

- Se eu não cresço, imagina meu pau?!


11 - Aladin

- Qual o seu desejo?

- Transar durante mil e uma noites!


12 - A Bela e a Fera

Sexo bom é sexo selvagem!


13 - A Pequena Sereia

- Minha boceta não tá pra peixe não!


14 - Patinho Feio

- Feio! Mas bom de cama.



(VFM)

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Fragmentos e Poemas Memoráveis

Buenas! Eu aqui de novo com a famosa série dos pedacinhos importantes de alguns livros que me marcaram e toda a literatura seja nacional ou internacional. Este livro de hoje abalou minha estrutura, devido ao seu caráter merencórico e, ao mesmo tempo, encantador. Com seu final trágico, que revolucionou uma época e levou muitos amantes ao destino similiar a da personagem. Outras pessoas que leram não sentiram o baque romântico deste opúsculo, mas comigo foi indelével e por isso merece sem sombra de dúvidas figurar aqui.

"E então, meu amigo? Tenho medo de mim mesmo! Meu amor por ela não é o mais fraternal, o mais santo, o mais puro dos amores? Sentiu minha alma um desejo culpável?... Não quero fazer juramentos! ... E, no entanto, estes sonhos ... Oh! como tem razão os homens que atribuem efeitos contraditórios às forças exteriores! Esta noite ... Estremeço ao dizer que a tive nos meus braços, apertada contra o peito, cobrindo-lhe de beijos sem conta a boca que balbuciava palavras de amor, meus olhos inundados pela embriaguez do seu olhar! õ Deus, serei porventura culpado de experimentar ainda tanta felicidade ao recordar, em toda a sua intensidade, essas ardentes delícias?
Carlota, Carlota!. . ."

Livro: Os sofrimentos do jovem Werther
Autor: Johann Wolfgang von Goethe

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

A cadeira

Opa! Pouca Roupa! Boca Louca! Estamos aí. O estro capengando, mas continuo no labor. Achei esse poeminha no meio de um livro que há muito tempo tinha lido. Creio que falta primor na poesia, ou sei lá mais o quê. Não quis mexer muito nele para deixá-lo da forma que o concebi. É isso!

A cadeira

I

Sobre uma cadeira opaca,
Hirta, insossa, dura,
O corpo desassosegava,
Morto vivo em sepultura.

Para curá-lo do incomodo,
Na verdade, se existe cura,
Aquilo chamado agonia,
Ao corpo se junta e mistura.

De súbito, pouco a pouco,
O peso denso dos ossos
A que a carne nos veste
Pula, sacode, com esforços,

Embora a dor intrusa
A medicina até mitiga
O raquiano sem gestos
A boca, Ai!, é que diga

O sofrimento a espera?
Os braços se debruçam
Entre o monstro e o vento
Mas é uma inquietação.

A diária, depois a manhã,
À tarde e o início da noite,
Fazem da lenta labuta,
Melancólica, um açoite.

II

O assim não fazer nada,
Ou deixar fazer tudo,
Depende da vontade,
Você muda ou eu mudo?

Nesta prolixa luta,
Enfadonha, inventiva,
Acusando uma cadeira
Que nem se encontra viva.

Toda esta minha ladainha
Preenchendo o papel
Deveria ser escrita
Realmente no papel?

Todavia, é com este papel
Que não serei esquecido.
Adivinho? Ao leitor, então,
Dou-me por agradecido.


(VFM)

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

E se...

Bem, estimados leitores, muito estranho o que se passa comigo, mas já é de praxe a verve me abandonar por alguns momentos, dias, semanas e por aí segue. É terrível isso. É um penar de todo escritor. Creio também que temos que nos esforçar, escrever o inescrito, rasurar uma ideia, ou concepção desta. Hoje minha amiga OZ, depois de contar-lha meu padecimento, ela me veio com uma bela frase que muito me animou. Vou postá-la com um poemeto que acabei de fazer, premindo o sumo da seca inspiração.

“De vez em quando Deus me tira a poesia. Olho pedra, vejo pedra mesmo.” (Adélia Prado)


E se...

E se o coração não doesse de saudade?
E se a tristeza não fosse sentimento?
E se os anos não trouxessem senilidade?
E se a morte não fosse sofrimento?

E se a vida fosse somente felicidade?
E se o mundo fosse uma pura utopia?

E se...

Não imagino como seria tudo isto.
Existiria, assim, o diabo e o Cristo?
E se tudo acontecesse algum dia?
Eu, com certeza, não aprovaria.


(VFM)

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Fragmentos e Poemas Memoráveis

Opa! Sumi um pouquinho, mas é porque estou sem net em casa. Volto, então, com alguns fragmentos de livros que me marcaram e devem constar na biblioteca de todos, eu indico! Já postei anteriormente um trecho desse mesmo autor e reitero com outro livro tão memorável quanto. Pra mim, sinceramente, gosto mais desse. Muita intriga, tensão, ótimas falas, que te prende do início ao fim. Leiam!


OTELO - Tanto contentamento quanto espanto me causa ver que antes de mim chegastes. Ó alegria de minha alma! Caso viesse sempre depois da tempestade semelhante bonança, poderiam soprar os ventos de acordar a morte. Que o meu barquinho escale montes de água tão altos quanto o Olimpo e, após, afunde tanto quanto distar do céu o inferno. A morte, agora, para mim seria uma felicidade, pois tão grande é a ventura que da alma se me apossa, que não pode, receio-o, reservar-me outra igual o futuro nebuloso.


Livro: Otelo, o mouro de Veneza

Autor: William Shakespeare