segunda-feira, 15 de junho de 2009

Fragmentos e Poemas Memoráveis

Opa! Depois dum tempo ausente, devido ao feriado, volto com a afamada série dos insignes trechos da literatura mundial. Regresso com um famoso pedaço teatral, que muito me marcou, creio que outras pessoas também. A parte se encontra no Ato III, Cena I e é vista com um fundo metafísico agudo. Vale a leitura!

Ser ou não ser, eis a questão: será mais nobre
Em nosso espírito sofrer pedras e setas
Com que a Fortuna, enfurecida, nos alveja,
Ou insurgir-nos contra um mar de provocações
E em luta pôr-lhes fim? Morrer.. dormir: não mais.
Dizer que rematamos com um sono a angústia
E as mil pelejas naturais-herança do homem:
Morrer para dormir... é uma consumação
Que bem merece e desejamos com fervor.
Dormir... Talvez sonhar: eis onde surge o obstáculo:
Pois quando livres do tumulto da existência,
No repouso da morte o sonho que tenhamos
Devem fazer-nos hesitar: eis a suspeita
Que impõe tão longa vida aos nossos infortúnios.
Quem sofreria os relhos e a irrisão do mundo,
O agravo do opressor, a afronta do orgulhoso,
Toda a lancinação do mal-prezado amor,
A insolência oficial, as dilações da lei,
Os doestos que dos nulos têm de suportar
O mérito paciente, quem o sofreria,
Quando alcançasse a mais perfeita quitação
Com a ponta de um punhal? Quem levaria fardos,
Gemendo e suando sob a vida fatigante,
Se o receio de alguma coisa após a morte,
–Essa região desconhecida cujas raias
Jamais viajante algum atravessou de volta
–Não nos pusesse a voar para outros, não sabidos?
O pensamento assim nos acovarda, e assim
É que se cobre a tez normal da decisão
Com o tom pálido e enfermo da melancolia;
E desde que nos prendam tais cogitações,
Empresas de alto escopo e que bem alto planam
Desviam-se de rumo e cessam até mesmo
De se chamar ação.

Livro: Hamlet

Autor: William Shakespeare

sábado, 13 de junho de 2009

Feliz dia dos (e)namorados

Para não deixar passar debalde, dois poeminhas.

1

Meu coração, sem descanso,
Põe-me, às vezes, em choro.
E para aliviar o decoro,
Ou talvez deixar-me manso,
Pensar em ti é a salvação,
Dentre tudo e toda emoção.
Nesta disritmia - um desejo:
Dar-me a meninice dum beijo.


2

Não, não é meu
O que diz-me ser.
É unicamente teu,
Só a ti pode pertencer.
É algo que se esconde
E facilmente se invade.
O caminho? Não sei onde,
A margem da fragilidade,
O rio em mim vai te levar.
Caso não se possa ouvir
A fonte sensível a estalar
Basta saber que seu sorrir
É agrado para te amar.


(VFM)

terça-feira, 9 de junho de 2009

O Outro

A Fernando Pessoa


Sou outro, de outro,
Puramente monótono,
Rasura de nascimento,
Confluência do acaso,
Por final de reencontros.


(VFM)

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Ao Amor

Como forma de homenagear a semana do dia dos namorados, segue um poema para um Enorme Amor.


Distante do seu olhar de ventura,
Asa que sorri divina e pura,
A saudade afronta-me em lufada.
Minh'alma errante da terra idolatrada

Percebe que não se pode mais
Ver outros olhos, que vão persigo.
Enfara-me o olhar dos mortais,
Pois a eterna luz está contigo.


(VFM)

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Poema de Aniversário 2

Neste mês não podia deixar de homenagear uma pessoa tão querida e que gosto muito, Renata. Fiz este poeminha para, quem sabe, dizer o quanto a considero e como é importante esta data tão especial.


É chegado o dia,

Talvez dia santo,

Júbilo, tanto, tanto,

O Aniversário – Que alegria!

Se temos a nós

Dedicados momentos,

Não devemos a sós

Deixá-los largados aos ventos.

Mas que Felicidade!

Do passado a saudade (?).

Uma coisa ruim no pretérito,

Tem também seu mérito.

As boas, sejam muitas,

Que sejam todas gratuitas.

Compartilhe com os amigos,

Nossos sinceros abrigos.

Lembremos da Família,

Que nos tem em vigília.

Do amor… Ao amor

O cálido andor.

E, sempre, a Deus,

Que não se dá adeus.

Aniversário é o dia

Que nos contagia.



(VFM)

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Súbito

Desculpe caros e estimados leitores pela ausência esses dias, mas o labor me sorveu todo o tempo e meu pc ainda está no conserto. Mas, enfim, todavia, não obstante, voltei! Segue um poemeto que escrevi ontem a noite, após um dia árduo.


Não me lembro bem...
Sim, lembro muito bem
Da unção que a paixão
Causou no meu coração.
Uma música anunciava,
A flecha saía da aljava
E alígera, sem despeito,
Foi ao âmago, ao peito.
Bateu, uma, duas, três.
Eu disse: outra vez?
Inelutável! Foi assim
O amor apossou de mim.


(VFM)

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Excessos

Numa Jogada, uma ficha,
O dinheiro em fuga,
O tempo que enruga,
A vida que subtrai e lixa.

**

A solidão
faz conluio
co a saudade.
O coração
faz conluio
co a maldade.

**

Duas doses de tequila,
Alguns cigarros,
(pigarros)
A noite que se aniquila.


(VFM)


Obs: mais uns versos encontrados na bagunça da minha vida.