segunda-feira, 11 de maio de 2009

Fragmentos e Poemas Memoráveis

Opa, opa! Não posso deixar de fazer barulho para esta série. Aos amásios de plantão da Literatura, o post de hoje trago um trecho de outro livro que me emocionou, tanto pela simplicidade, finura (pouco mais de 120 páginas), mas com uma história sublime, única. Ou seja, não precisa escrever demais para montar um ótimo livro. Leiam!

"A linha começou a erguer-se lenta e cautelosamente, e pouco depois a superfície do oceano agitou-se à proa do barco e o peixe apareceu. Apareceu à tona d'água e parecia nunca acabar. A água deslizava-lhe mansamente pelo enorme dorso. Brilhou à luz do sol. A cabeça e o dorso eram purpúreos e as barbatanas abriram-se, imensas, cor de violeta pálida. Tinha a espádua mais comprida do que um "bat" de beisbol, rematada com um estouque, e saiu da água completamente, tornando depois a mergulhar, suavemente, como um mergulhador. O velho viu a cauda em forma de foice desaparecer e começou a dar-lhe linha."

Livro: O Velho e o Mar

Autor: Ernest Hemingway

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Minha Crônica no Tribuna Lagoana

Ser Novaerense


Gostaria de escrever ou descrever tudo o que vi e vivi dias atrás, quando, passeando por Nova Era, me bateu uma espontânea curiosidade de descobrir os encantos de ser Novaerense. É preciso entender, pois apesar de não ter realmente nascido aqui, minha aventurosa vida muito se segue entre as pedras calejadas de história desta cidade. Mas como definir tamanha condição?

Esta vontade “sociológica” surgiu ao caminhar pelas ruas quietas, por este povo sereno, de olhos mansos, que carregam uma alegria de viver, um claro sorriso e uma bondosa satisfação no coração de ser Novaerense, que tange junto com os sinos de suas igrejas.

O desejo de desvendar as manias de um Novaerense me veio ao visitar o Museu Municipal de Arte e História, que reinaugurou há pouco tempo, mas que contém um passado grandioso, de comprido tempo. Entrei na aconchegante casa, bicolor, ao amável som das tábuas, cada passo, um rangido de época, cada objeto, uma alegoria de outrora. Arreios, livros, missais e adornos sem fim. Era como rever o princípio de tudo. Lá me demorei como se estivesse engomando os séculos de Nova Era, carinhosamente e únicos.

Ao sair do casarão, eis que me deparo com o ápice e “imaculado” Cruzeiro da Praça Matriz e, ao fundo, a belíssima Igreja de São José. Um quadro antigo do rococó mineiro, um pedaço de sonho santo o qual me abraçou, como um parente querido. Ali estava o início da contemplação e entendimento de ser Novaerense. Além do mais, a cultura e hábitos desta cidade são fundamentais para caracterizar os habitantes daqui, cheios de tiques extravagantes e, ao mesmo tempo, peculiares.

Ser Novaerense é uma mistura de presente e passado, experiência e juventude, uma revelação, ou uma nuance complexa de tradições. Ser Novaerense era ouvir do alto falante “A voz livre Ibramar”, o correio elegante de momentos remotos; era também assistir a bons filmes no Cine Ipiranga, dançar no Clube Comercial, cada cavalheiro com seu chapéu de palha. Era “pão” pra lá, “broto” pra cá, que embalavam o carnaval da “Desce Ladeira”, do “Sagradão”, do “Lado de Lá” e “Manjahy”, num mormaço de felicidade; ou sentir o afago da lua penetrando as 44 janelas da Fazenda da Vargem, um holofote mágico. Ser Novaerense era noites de serestas e festas e passeios na Governador Valadares, e por tantas outras ruas quentes de recordação.

Ser Novaerense é apaixonar-se diariamente com o rumorejar do rio Piracicaba, que enfeita e corta a cidade como uma flecha de cupido, fluido e brando, alegre e arrasador. Ser Novaerense é se empetecar no domingo cristão e visitar o Morro do Padre ou a igreja do Rosário, numa devoção ao santo de fé: Gruta, Lagoa, Matriz, de São José!

Ser Novaerense é namorar na Praça da Liliu e presentear a amada com esmeraldas de suas terras. Ser Novaerense é tomar licor de jabuticaba, ou um cafezinho com biscoito de polvilho, ouvindo boa música, conversando com todo mundo. Ser Novaerense é ser um só povo, do Centenário, Santana, Serra, Pedra Furada, Sagrada Família, Manjahy, Capoeirana, etc. etc.

O costume daqui é assim e foi como aprendi, com um nato e orgulhoso Novaerense: meu avô! Tenho muito que agradecê-lo, pois com ele aprendi tudo o que sou. No mais, para ser Novaerense deve-se ter duas noções: a da Beleza simples e indizível da cidade e a noção de amá-la para a vida inteira.


(VFM)

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Mais MINI CONTOS

1- O bêbedo

Tinha inúmeras garrafas no seu barzim,
Todas preenchidas com lágrimas.
Assim era o seu dia, embriado de saudade.


2- Verdadeiro Amor

Lá estava ele a esperar, com rosas e chocolates.
30 graus a colorir seu rosto e a derreter os chocolates.
As rosas já se encolhiam, secas. Horas, quedo, ficou.
O Amor Verdadeiro demora a chegar.


3- Microscópio

De perto via o micróbio,
Claustrofóbico.


4- Casa Nova

- Amor, comprei uma casa nova pra gente. O lugar é bem simples, mas é tranquilo e tem muitos pássaros.

Levou-a para conhecer a casa que ficava defronte ao lixão rodeado de urubus.


5- Outra Mulher

- Uau! Este seu novo look te deixou uma outra mulher.

- Mas agora eu sou mesmo. Não sou mais mulher do Afonso, agora sou do Osvaldo.


6- Amar é...

Aguentar o sabonete cabeludo.


7- Eraser

Todo dia comia um pedaço de borracha,
pois queria apagá-la do seu coração.


8- Praça 7

- Mãe!!! Você me prometeu um pirulito,

Disse a criança em prantos.


9- Rugas

- Ora, isso não são rugas, são anos de muito sorriso.



(VFM)

terça-feira, 5 de maio de 2009

Mini Contos

1- O Corcunda

Hobbys: amarrar os seus sapatos e abrir e fechar braguilha.


2- Escritor Esquizofrênico

Parou de escrever, pois estava sendo perseguido pela folha em branco.


3- O Sonâmbulo

Há meses não conseguia dormir,
Ouvia barulhos e gemidos.
Descobriu que morava num motel
Ao lado de um canil.


4- O Cozinheiro

- Nossa! Não sabia que estava preparando um jantar para a gente, baby!

- Não estou! É que eu moro em cima de um restaurante.


5- A Chorona

- Chora não, moça! Porque você chora tanto?

- Dá pra tirar o carro de cima da minha perna antes?


6- O Poeta ou o Vagabundo

Primeiro rimo.
Depois, bebidas e mulheres.
Trabalho?
Na casa do caralho!


7- Conversa fiada

Quis conversar com a morte.
Fechou os olhos. Ouviu um som.
Deitou-se, então, na linha do trem
E ficou a esperá-la.


8- Pedido Frustrado

Mais um aniversário. Bolo e velinhas.
Pedia todos os anos o mesmo pedido,
Mas nunca era atendido.

- Quero que minha sogra morra!


9- Declaração de Amor

- Eu te amo desde quando eu te conheci!

- Mas quem é você?


10- A Espera da Amada

Quando caiu uma estrela
Colocou-a na boca
Para dar a sua amada,
Em vão!
A lua não saiu hoje.


11- Vampiro Intelectual

- Hoje mordi um esternocleidomastóideo delicioso!



(VFM)

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Rapunzel

Faria para os teus singelos
pés lindíssimas sandálias,
ornadas por várias dálias,
Ó dama dos meus anelos!

Inteiriça trança como véu,
cobrindo o rosto vermelho,
caindo até seu lindo joelho,
Tampava a aflita Rapunzel.

Ela sofria, como eu também!
Num alto fanal da tristeza
Seu pai escondia a beleza
Que dela pulava muito além.

Eu suplicava ao seu genitor,
Quanta vileza naquele ato,
Evitar-me por ser mulato,
Suprimir, amiúde, este amor.

A ela, eu cantava eufônico:
"Jogue as tranças, Rapunzel!"
Caía sua corola, vulto do céu,
Um loiro trigal babilônico.

Neste instante, triunfalmente,
Ela, seduzida, entusiasmada,
Infantil, um pouco angustiada,
Temia. Eu subia lentamente.

Via-a, uma sombra indefinida.
Tamborilava o vivo coração.
Uma lágrima caía de emoção,
Da mulher quase esquecida.

Os olhos, cárceres do medo,
Brilhavam junto com o luar,
Um par de concha a soluçar,
O réquiem, fim do degredo.

Pelas paredes, o meu destino
Mais perto estava, ó Rapunzel!
Dou-lhe um beijo, céu ao céu,
Te bendigo! (que beijo divino!)

Rapunzel se pinta e se tinge,
Rubicunda de graça e calor,
Multicor! Versa, sem temor,
"Amor assim nunca se finge!".

A hora intensa do sol chama
Os dois pombos sonhadores.
Hora de fugir pelos arredores,
Dar fim a este leteu drama.

Dali fugimos pelos caminhos,
Eu e Rapunzel, denodados.
Fomos mui felizes, casados,
E tivemos muitos niños.

...

Rapunzel morreu agora.
A saudade foi-se embora.
Quero outra o mais breve.
Vem cá Branca de Neve!


(VFM)

domingo, 3 de maio de 2009

Fragmentos e Poemas Memoráveis

Buenas! Aproveitando o fim do feriado, coloco no ar a série de textos gloriosos da Literatura. Os anteriores divulguei a prosa, mas neste de hoje, após pensar demoradamente num poema, escolha difícil em selecionar o primeiro, consegui elencar um que muito me encanta. Cogitei postar, talvez, em ordem cronológica, mas a ordem não supera a qualidade dos poetas. Começar com Hesíodo? Anacreonte? Píndaro? Horácio? Ovídio? Homero? Petrarca? Dante? Camões? Vamos aos poucos. Todos terão seu nome aqui, com muita honra. Enfim, o poema escolhido é de um autor que muito aprecio também, Lord Byron, principalmente por seu teor romântico.

Tu me chamas

Em momentos de delícia,
Extática, embevecida,
Numa voz, toda carícia,
Tu me chamas: "Minha vida!"

Sentira, à frase tão doce,
Exultar-me o coração,
Se a nossa existência fosse
De perpétua duração.

Levam-nos esses momentos
Ao fim comum dos mortais.
Ou não saiam tais acentos
Dos lábios teus nunca mais,

Ou, mudando a frase terna,
"Minha alma", podes dizer.
Pois a alma não morre; eterna
Qual meu amor, há de ser.

Autor: Lord Byron - George Gordon Byron, 6º Barão Byron (1788-1824)

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Não!

Não! Digo que não! Não farei deste ambiente um lugar espúrio, olho de serpente, serpentina fora de época, tampouco um buraco para largar tralhas e frustrações de outrem. Chega de desamor. Chega de ilusão. Paixão? Estou cansado desta demanda em mim. Tanto já deste cálice bebi, aja moringa, muito barro apaixonado, simplesmente por prazer. Tolice! Não! Não tenho mais humor ou ironia para sacudir um sorriso em algum leitor. Meu sentido e entendimento atual de humor é torto. Claudico na ideia de felicidade. Pilhérias? Que preguiça de palhaço letárgico. Não! Nem por ser feriado que assim consigo brincar de cócegas. Hoje só amanhã. Quem invadir meu sentimento será um intruso, um indivíduo que não preza a vida. Não adianta me espiar, obliquamente. Não! Não sou ninguém, sou alguém, somente, sem nome.