sexta-feira, 17 de abril de 2009

Etimologia 2

Volto com a série de Etimologia das palavras ou A Origem Curiosa delas, do Márcio Bueno, para, assim, matar a fome dos interessados e desejosos para aprender sobre, como bem disse Bilac, a Última Flor do Lácio.

CIGARRO: O hábito de fumar é uma invenção dos indígenas das Américas. Há cerca de três mil anos, os maias já fumavam tabaco e espalharam o vício entre outras tribos americanas, que mais tarde transmitiram o "infeliz" costume aos brancos. Segundo a Real Academia Espanhola, os navegadores da Espanha deram o nome de cigarro ao charuto que era fumado pelos índios, por causa da semelhança com o corpo da cigarra. Até hoje, o que os espanhóis chamam de cigarro é o charuto. A industrialização começou no século XIX, na França. O produto, que não passava de um pequeno charuto, ou charutinho, recebeu sufixos diminutivos em espanhol (cigarrillo), em italiano (sigaretta), em francês (cigarette) e em inglês (também cigarette, copiado do francês). "Cigarro" ficou sendo o filhote industrializado do charuto.

COCA: O nome "coca" vem de kuka, da língua quichua, falada por povos que habitavam os Andes, entre os quais os incas, e que ainda hoje é falada por seis milhões de pessoas em países como o Equador, Peru, Bolívia e Argentina. A coca é o arbusto de cujas folhas e cascas se extrai a substância tóxica denominada "cocaína". Os índios, anteriormente, tinham o costume - e têm ainda hoje - de mascar as folhas de kuka por causa de suas propriedades estimulantes e de jogar a substância nos rios para narcotizar os peixes e facilitar a pescaria. (Peixinhos tudo noiados, essa foi boa!)

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Conselho

“Meu conselho mais importante para todos vocês, aspirantes a escritor: ao escrever, tentem deixar de fora as partes que os leitores pulam.” (ELMORE LEONARD)



Escrever? Muito já me obriguei e me obrigaram. Desde o primeiro contato que tive com um caderno, via-láctea branca, forcejei e forcejaram comigo de tudo. Iniciei por caminhos bêbados, letras sonolentas, trôpegas, que se arrastavam dentro do deserto linear e alvo, votivos espirais passavam e passavam e seguravam as garatujas e rasuras fora de rumo. Certo momento dei e deram para assinalar dados numéricos, um tanto de desenhos, que numa soma chegam a mais números, além das palavras novas: mais e menos, divisor comum, primos, equação, divisão... do meu mundo a um coeficiente ensandecido. Outras vezes cismavam com Biologia: flores heliotrópicas enfeitando os cantinhos das brochuras, seres cordados pulando entre um rabisco e outro, anelídeos de palavras alongadas. E vinha Geografia: latitude que não se achava, cerrado os olhos de cansaço, planaltos tão altos. Nem me recordo de Física, um tanto matéria, um tanto energia, empuxo que me puxa; Química, então, Deus meu! Haja Alcalóides e Benzenos para aliviar o estresse. Esta foi minha lida. Décadas depois, lá vai eu me enveredar no microcosmo da Literatura. Escrevi contos sem pontos, que nem te conto; poemas sem temas, com muito estratagemas, romances ouvindo trances, fazendo performances. Artigos de perder amigos, críticas cáusticas, e assim transcorri papers. Livros de tanta vida, páginas perdidas, cadernos escondidos, folhas dentro de garrafas com rolhas, extratos de fatos, publicações de canções. Ah! Como ia ocultar as cifras e músicas que bocas loucas, euforicamente, me assumiam... Bons tempos dantes! O que mais tenho saudades são das rimas, meus imãs, meus prismas: "Meu coração é um almirante louco que abandonou a profissão do mar e que a vai relembrando pouco a pouco em casa a passear, a passear...". É... por isso que escrevo, ou melhor, minha vida foi de muito escrever, pois é como pintar, confesso que desenhos pouco cumpri, suavemente se vai marcando letra a letra numa sinfonia de chuva e, quando se para para ler, pronto!, que lindo texto, não importando o contexto. Escrever é assim: Um prazer imenso e intenso, mas que poucos sabem levar. E dancei muito entre linhas e pautas lautas, com perfeição! Enfim... Um conselho: Escrevam incessantemente! Escrevam enquanto é tempo, pois, apesar de não poder e fazer tal diabrura, sentir o atrito e afago do papel, garanto-lhes, é algo inefável. Deixei muita história e estória para todos, é só lá me procurar num ermo das bibliotecas, ou nas luzes estridentes das livrarias, que antes de digitadas passaram por mim, em outras épocas. Agora sem mais para dizer, deixo registrada a minha autobiografia. A minha vida que se esvai, gota a gota, até a última força. Esta foi a minha história triste e feliz. A história desta Caneta, sim, sou uma Caneta, que se despede, pois já não sabe quando é chegado o momento de morrer e parar. A gente pressente que vai ressecar e, um dia, deixar de registrar as coisas lindas da Vida. Sei que o meu fim está próximo e, num átimo, vai me pegar antes deu querer e de dizer adeus a todos. Só não quero imaginar quando, realmente, ficarei sem tint(...)

(VFM)

quarta-feira, 15 de abril de 2009

A Decisão

Gabriel não levava em conta que já, há muito tempo, vinha engolindo muita purpurina dos carnavais de outrora quando decidiu ser travesti. Estava sempre preparado para o estilo extravagante das senhoras-madames desquitadas (passou a fumar dois maços por dia de Derby vermelho), além das raparigas (assim se chama as garotas avulsas de sua terra), que, hora e meia, parava para beber na porta do bar do seu pai. Muita cor-colorido-colã mal cobrindo a relva pubiana, menos ainda, as alterosas nadegais e, obviamente, os dois montes frontais e rotundos. O olhar de confete do pobrezinho ardia de júbilo. Logo teve que dar um jeito: arranjou muito peito, cabelo e menos pelo, salto alto, decotes em recortes, saias para impressionar faias e tudo mais demais, ou em excesso excelso. Mal se preocupou com a família cheia de filhas, pois mais uma não traria problema-edema depois. O pai não chiou; mãe se empolgou e irmãzinhas impressionadas diziam: OH! (em devoção). Aí foi um mexerico na cidade de pouca idade, em ociosidade e de gente de anosidade. Gabriel tinha um apego a modismo e lançou o "Gabrielismo", sucesso de crítica nos cabarés anônimos. Sendo assim, com tantas irmãs-colegas-amigas, era um tanto de menina-mulher saltitando e tilintando pelas ruas, quase nuas (suas?). A inveja começou a imperar de par em par, pois dama de interior não suporta ver concorrência aleatoriamente invadindo seu (es)paço. Gabriel colecionava e colecionou de tudo. Às vezes umas marafonas pediam conselho de Disign (o charme de Milão erroneamente pronunciado e pensado) de Moda. Uma amiga sua até criou uma tal certa Daspu. Gabriel não quis rolexyt (outro encanto de dizer, ou seja, corrigindo, royallities). Gabriel tentava por que tentava e danava a chicotear a língua com o seu inglês pequenez. Era pronunciar uma frase chumaçada que todo mundo ria ria até. Cada dia a top acrescentava um utensílio idílico a sua penteadeira de madeira de beira, empapuçadamente rosa rosa primorosa. Todas queriam emprestado tudo felpudo. Ah! Não há de se esquecer os namorados. Ele teve uma gama na cama de machos em cachos. Sexo e Gabriel era algo anexo a sua vida. Depois, muito, de dois e dois, comprou, além do vintém, o imaginável e inutilizável, pouco importava, até nova aldrava. Gabriel, então, começou a ser afamado em outras regiões. Fez roupas de peões aos montões. Participou de leilões. Gabriel era O Travesti mais "tra-vestido" de lindo. Ano a ano costurando. Além do mais, escondido fez roupas para o Vaticano. E assim seguiu carreira de estilista e travesti. Prêmios e concursos eram muitos ganhos: "O Travesti do Século", estampavam as revistas do gênero, com esmero. Gabriel, nessa brincadeira de não levar conta, virou sinônimo de purpurina, ou seja, coisa que pisca-risca de odalisca, coisa Gay (o G foi oriundo do seu nome). Gabriel ganhou o mundo! Ao mesmo tempo, Gabriel perdeu-se dentro dos inúmeros mundos dentro do nosso mundo. E assim fiquei sem receber anos de notícias dele. Hoje mais cedo, por acaso, ele me ligou e disse: "Deixei de ser travesti, larguei tudo, abri uma oficina de carros. Vamos marcar um futebol com a galera".

(VFM)

terça-feira, 14 de abril de 2009

Soneto Proibido

Segue um sonetilho meu escrito tempos atrás.


Soneto Proibido


Quando Ana surgiu,
(Quanta mocidade!)
Findou a castidade,
No mais novo covil.

Todo dia na gandaia,
Noites de bebedeira,
Fama de alcoviteira,
Sempre de minissaia.

Eu era muito novo...
Ela: alvoroço do povo.
Fofocagem todo dia.

Ela sempre desmentia,
E dizia: "Vendo frutas:
Uvas, Vulvas e Putas!".


(VFM)

domingo, 12 de abril de 2009

Fragmentos e Poemas Memoráveis

Olá, caríssimos! Volto aqui com a série de trechos e poesias que ficaram indeléveis na Literatura Mundial.

Lolita, luz de minha vida, labareda em minha carne. Minha alma, minha lama. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes. Lo. Li. Ta.

Pela manhã ela era Lô, não mais que Lô, com seu metro e quarenta e sete de altura e calçando uma única meia soquete. Era Lola ao vestir os jeans desbotados. Era Dolly na escola. Era Dolores sobre a linha pontilhada. Mas em meus braços sempre foi Lolita.


Livro: Lolita
Autor: Vladimir Nabokov (1899-1977)

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Etimologia

Como sou um aficionado pelas palavras, gosto de saber o nascituro de cada uma: Donde vieram, a estirpe (risos), mutações (X-men), em suma, a origem curiosa delas. Fiz uma busca no livro do Márcio Bueno, que muito me auxiliou. Por isso, abro aqui um espaço para elucidar a vocês a etimologia dos termos. Espero que apreciem.

ONANISMO: Masturbação masculina. A origem do termo é a história do personagem bíblico Onã, do velho Testamento. Tendo morrido seu irmão, foi-lhe ordenado que se casasse com a viúva, obedecendo a uma lei dos hebreus - sempre que morria um homem casado, seu irmão tinha que se casar com a cunhada, mas o primeiro filho seria descendente do defunto. Acreditando que o filho não seria seu, mas do irmão morto, Onã sempre interrompia a relação sexual pouco antes de gozar, completando o ato com a mão. Ao expelir o sêmen para fora da mulher, evitava a fecundação. Seu comportamento, que acabou associado à prática da masturbação, não foi do agrado do Senhor, que simplesmente o fez pagar com a vida pela traquinagem. (Quanta sacanagem!)

BOCETA: O termo designa pequena caixa redonda, oval ou elíptica e aparecia frequentemente nas obras de vários escritores, principalmente de Machado de Assis, como, por exemplo, em Memórias póstumas de Brás Cubas, de 1881: "Vinha com ela uma boceta contendo um bonito relógio com as minhas iniciais gravadas". Quando passou a ser usado popular e amplamente para designar a genitália feminina, possivelmente entre as décadas de 1910 e 1920, o termo desapareceu completamente da linguagem culta. Em Portugal, apesar de ter incorporado esse novo sentido, o vocábulo - e sua variante buceta - é usado sobretudo, e com naturalidade, no sentido de caixa e também como sobrenome. E por que razão o termo incorporou esse outro sentido? Por causa do receptáculo, os sinônimos da genitália feminina são contados às centenas e, na maioria das vezes, a associação é algum tipo de receptáculo. O uso do termo pode ter contribuído para disseminar os apelidos, pois o fato destas caixas acondicionarem também o fumo, popularmente sinônimo de pênis no Brasil. (Vou rever meus conceitos agora)

terça-feira, 7 de abril de 2009

INTRODUÇÃO AO TERROR


O sentimento de terror teve início com os anseios e aporias da sociedade. Os antagonismos: vida e morte, corpo e alma, alegria e dor, fomentaram a curiosidade dos homens para o desconhecido. Já se nasce com fobias, a própria história da evolução dos seres vivos demonstra isso. O instinto, à vontade de sobrevivência, a relação caçador e caça, a descoberta de que podemos ferir o outro, a violência, são inerentes ao homem e geram o medo. O mundo no qual estamos inseridos impõe os riscos. É a aventura da dúvida, é a indagação ancestral do destino humano, é o desabafo do espírito pelo medo, que criam os desejos pelo lúgubre.

Com o advento da sétima arte, o cinema, as possibilidades de criarmos atmosferas sombrias, seres definhando, fantasmas e trabalhar com nossos devaneios mais obscuros, possibilitaram à criação dos filmes de terror.

As aversões com o passar do tempo tornaram-se inúmeras, resultando em mais possibilidades de novos filmes. Entretanto os personagens disformes, medonhos, tiveram alusões não somente pelos contos dos antepassados, na tentativa de assustar as crianças e inimigos. Foram baseadas, também, na capacidade atroz do homem, as perversidades. Os derramamentos de sangue ocasionados pelas batalhas, guerras, relacionam os homens com as criaturas dos filmes e as mortes produzidas por eles, inimagináveis. As referências são: monstros como Calígula, Nero, Raspútin, Joseph Stalin, Adolf Hitler e o príncipe Vlad Drácula, cujo nome foi transformado em filme.

O terror une-se ao mal e é um fato da vida. Regimes de terror abrangem um período de quase dois mil anos. São reflexos da insanidade, da moléstia ao próximo e que reproduzidos em telas lotaram as salas de cinema. Mas o que torna o terror tão fascinante? Procuramos o terror nos filmes, nos quadrinhos e até nos parques de diversões. Por quê vamos ao encontro do medo? São questões da consciência humana e esmiuçada até hoje por cientistas.

Um assunto que atualmente tem intrigado os homens, bem como, cativado, é o mal que perpetra na sociedade. Somos atraídos pelo terror. A mesma proporção que execramos o perverso, as atrocidades, adoramos ouvir falar, visualizar e, por sadismo, rir das desgraças que se abatem sobre os outros. Por natureza somos maus (?), é característica do homem que os cineastas tanto produzem e conquistam cada vez mais fãs. Isto é irrefreável. Cabeças continuarão a rolar e sangue a jorrar.



(VFM)