domingo, 12 de abril de 2009

Fragmentos e Poemas Memoráveis

Olá, caríssimos! Volto aqui com a série de trechos e poesias que ficaram indeléveis na Literatura Mundial.

Lolita, luz de minha vida, labareda em minha carne. Minha alma, minha lama. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes. Lo. Li. Ta.

Pela manhã ela era Lô, não mais que Lô, com seu metro e quarenta e sete de altura e calçando uma única meia soquete. Era Lola ao vestir os jeans desbotados. Era Dolly na escola. Era Dolores sobre a linha pontilhada. Mas em meus braços sempre foi Lolita.


Livro: Lolita
Autor: Vladimir Nabokov (1899-1977)

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Etimologia

Como sou um aficionado pelas palavras, gosto de saber o nascituro de cada uma: Donde vieram, a estirpe (risos), mutações (X-men), em suma, a origem curiosa delas. Fiz uma busca no livro do Márcio Bueno, que muito me auxiliou. Por isso, abro aqui um espaço para elucidar a vocês a etimologia dos termos. Espero que apreciem.

ONANISMO: Masturbação masculina. A origem do termo é a história do personagem bíblico Onã, do velho Testamento. Tendo morrido seu irmão, foi-lhe ordenado que se casasse com a viúva, obedecendo a uma lei dos hebreus - sempre que morria um homem casado, seu irmão tinha que se casar com a cunhada, mas o primeiro filho seria descendente do defunto. Acreditando que o filho não seria seu, mas do irmão morto, Onã sempre interrompia a relação sexual pouco antes de gozar, completando o ato com a mão. Ao expelir o sêmen para fora da mulher, evitava a fecundação. Seu comportamento, que acabou associado à prática da masturbação, não foi do agrado do Senhor, que simplesmente o fez pagar com a vida pela traquinagem. (Quanta sacanagem!)

BOCETA: O termo designa pequena caixa redonda, oval ou elíptica e aparecia frequentemente nas obras de vários escritores, principalmente de Machado de Assis, como, por exemplo, em Memórias póstumas de Brás Cubas, de 1881: "Vinha com ela uma boceta contendo um bonito relógio com as minhas iniciais gravadas". Quando passou a ser usado popular e amplamente para designar a genitália feminina, possivelmente entre as décadas de 1910 e 1920, o termo desapareceu completamente da linguagem culta. Em Portugal, apesar de ter incorporado esse novo sentido, o vocábulo - e sua variante buceta - é usado sobretudo, e com naturalidade, no sentido de caixa e também como sobrenome. E por que razão o termo incorporou esse outro sentido? Por causa do receptáculo, os sinônimos da genitália feminina são contados às centenas e, na maioria das vezes, a associação é algum tipo de receptáculo. O uso do termo pode ter contribuído para disseminar os apelidos, pois o fato destas caixas acondicionarem também o fumo, popularmente sinônimo de pênis no Brasil. (Vou rever meus conceitos agora)

terça-feira, 7 de abril de 2009

INTRODUÇÃO AO TERROR


O sentimento de terror teve início com os anseios e aporias da sociedade. Os antagonismos: vida e morte, corpo e alma, alegria e dor, fomentaram a curiosidade dos homens para o desconhecido. Já se nasce com fobias, a própria história da evolução dos seres vivos demonstra isso. O instinto, à vontade de sobrevivência, a relação caçador e caça, a descoberta de que podemos ferir o outro, a violência, são inerentes ao homem e geram o medo. O mundo no qual estamos inseridos impõe os riscos. É a aventura da dúvida, é a indagação ancestral do destino humano, é o desabafo do espírito pelo medo, que criam os desejos pelo lúgubre.

Com o advento da sétima arte, o cinema, as possibilidades de criarmos atmosferas sombrias, seres definhando, fantasmas e trabalhar com nossos devaneios mais obscuros, possibilitaram à criação dos filmes de terror.

As aversões com o passar do tempo tornaram-se inúmeras, resultando em mais possibilidades de novos filmes. Entretanto os personagens disformes, medonhos, tiveram alusões não somente pelos contos dos antepassados, na tentativa de assustar as crianças e inimigos. Foram baseadas, também, na capacidade atroz do homem, as perversidades. Os derramamentos de sangue ocasionados pelas batalhas, guerras, relacionam os homens com as criaturas dos filmes e as mortes produzidas por eles, inimagináveis. As referências são: monstros como Calígula, Nero, Raspútin, Joseph Stalin, Adolf Hitler e o príncipe Vlad Drácula, cujo nome foi transformado em filme.

O terror une-se ao mal e é um fato da vida. Regimes de terror abrangem um período de quase dois mil anos. São reflexos da insanidade, da moléstia ao próximo e que reproduzidos em telas lotaram as salas de cinema. Mas o que torna o terror tão fascinante? Procuramos o terror nos filmes, nos quadrinhos e até nos parques de diversões. Por quê vamos ao encontro do medo? São questões da consciência humana e esmiuçada até hoje por cientistas.

Um assunto que atualmente tem intrigado os homens, bem como, cativado, é o mal que perpetra na sociedade. Somos atraídos pelo terror. A mesma proporção que execramos o perverso, as atrocidades, adoramos ouvir falar, visualizar e, por sadismo, rir das desgraças que se abatem sobre os outros. Por natureza somos maus (?), é característica do homem que os cineastas tanto produzem e conquistam cada vez mais fãs. Isto é irrefreável. Cabeças continuarão a rolar e sangue a jorrar.



(VFM)

domingo, 5 de abril de 2009

Gauche

Acabaram com a modorra?
Quem vive na gangorra?
Quem sofre na masmorra?
Nimguém? A vida? Corra!


(VFM)

sábado, 4 de abril de 2009

SORTE

SORTE


Impressionam-se com o impressionável.
Do que, num repente, de clara sorte,
Algo que não se importe e se importe;
Um sinônimo de rara alegria inefável,
Que te põe numa comoção inexplicável.
Às vezes uma paixão, outras o esporte,
Noutras, elevação de crenças do céu,
Te colocam, assim, um anseio forte,
Que a sorte é prazer que se conforte.


(VFM)

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Da Série: Fragmentos e Poemas Memoráveis

Começo o post de hoje com a pretensão de colocar, pouco a pouco, um compêndio de frases, ditos, adágios, fragmentos, poemas etc. insignes e afamados que valem à pena ler, serem guardados e torná-los, ainda mais, inolvidáveis. Espero que gostem e acompanhem. É isso!


"Eu não quis saber, mas soube que uma das meninas, quando já não era menina e não fazia muito voltara de sua viagem de lua-de-mel, entrou no banheiro, pôs-se diante do espelho, abriu a blusa, tirou o sutiã e procurou o coração com a ponta da pistola do próprio pai, que estava na sala de almoço com parte da família e três convidados. Quando se ouviu a detonação, uns cinco minutos depois de a menina ter abandonado a mesa, o pai não se levantou de imediato, mas ficou alguns segundos paralisado com a boca cheia, sem se atrever a mastigar nem a engolir nem, menos ainda, a devolver o bocado ao prato; quando por fim se levantou e correu para o banheiro, os que o seguiram viram como, enquanto descobria o corpo ensangüentado da filha e levava as mãos à cabeça, ia passando o bocado de carne de um lado ao outro da boca, sem saber ainda o que fazer com ele".

Livro: “Coração tão branco”
Autor: Javier Marías.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Mulher feia (?)

Quem é ela? Quem é ela?
Não sei se é madame, concubina ou donzela,
Só sei que o meu coração é dela!
Teu corpo de mármore, greda feita por deuses, é lindo!

- Dizem que já foi casada.

E daí! Para mim pouco importa.

- Cinco vezes!

Tudo balela.
Não consigo esquecê-la.
Eu a quero mesmo sem ouvir a tua voz azul.
Terá nome esta mulher?
Com certeza é algo que rima com bela...

- É Creide.

Interessante... Creide! Que dizer excitante...!
Quero estar sempre ao lado desta formosura.
Por onde vagas todas as manhãs
Totalmente absorta e com doçura?

- Vejo a moça rumar pra capela.

Estou apaixonado...
Apesar de ainda estar no anonimato da tua boca.

- Meu amigo, cautela! Não sabe a procedência desta cadela.

Como ousa falar assim do meu amor, seu cretino!
Respeite minha nova namorada, minha amada.

- Não sei o que tu viste. A coitada é feia e banguela,
Uma górgona das melhores (ou seria das piores?).
Além de tudo é careca, vesga e tem mãos de pedra.

Tu tá com inveja. De longe sinto o hálito de violetas
Espargindo nos meus ouvidos, nos meus lábios secos.

- Companheiro, cuidado, a danada mora na favela.

Para mim tanto faz, pois não nasci em palacete algum.
É uma princesa, parece atriz de uma telenovela.

- Está mais para coadjuvante de radionovela, onde não se vê a fealdade física. Tenho é dó de ti, pois nela tudo falta. Cadê os seios bojudos? E a bunda volumada e tesa? A pobrezinha é uma magricela!

Não agüento mais ficar calado ao vê-la. EU TE AMO, Creide!

- Eta mulher feia! Você só pode estar com areia nos olhos. Compadre, eu te aviso: da cadeia ficar com mulher assim.

Cala-te!
Minha musa, minha donzela, Creide...
É a única há habitar o meu humilde peito,
Lar apertado e cheio de defeito.
Amigo, anuncie a todos para o meu chá de panela.
Irei casar com ela.
Irei ter filhos dela; miríades!
Irei viver feliz com minha Creide,
A mulher mais bela,
Que meu olho, o único, míope, viu.



(VFM)