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segunda-feira, 9 de abril de 2018

PÁTRIA


Se a pátria nos impõe desigualdades
E vemos só injustiças e matanças,
Gritemos! Gritemos alto por mudanças,
Pois a liberdade tá atrás das grades.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

O BRASIL DA GENTE



Grande acordo, com Supremo, com tudo.
Eis o lema atual da nossa bandeira.
Assim vemos o Brasil descer ladeira,
Ao som dorido do martelo agudo.

Enquanto isso, o Temer, senhor poluto,
É santificado pelos seus rebentos,
Ganhando deles, altíssimo tributo,
E satanás sempre cobra seus proventos.

Brasília é mais um traço condenado
Nas páginas da nossa Constituição.
Resta, quem sabe, uma luz sobrevivente?

Sob triste céu de um povo magoado,
Vamos à luta com todo o coração,
Pois é da luta que nasce nossa gente!

MOLHADO



A chuva veio inesperada.
Que raios!
O que você foi fazer
Debaixo dos meus olhos?
Justo hoje que esqueci
O seu nome em casa.
Tive que me abrigar
No vazio das marquises,
Vendo a chuva
Escrever no muro branco
As palavras desabitadas.
Triste, lembrei que o vento
Há de roubar você
E as sombras das janelas.

quarta-feira, 4 de abril de 2018

JUÍZO FINAL



“ April is the cruellest month...” (T.S. Eliot)
“Abril é o mais cruel dos meses”

No dia 4 de abril
O juiz bateu panela,
A justiça sumiu.

Sofre a sequela
Esse país molambento
Em tom de mazela.

Em todo momento,
São ameaças e tiros
Sem um argumento.

Somos pioneiros
Nos tipos de corrupção,
Pobres brasileiros.

Qual a nossa missão?
Políticos e juízes,
Reis creem que são.

Tolos, infelizes,
Vemos mais uma pessoa morta
De todos matizes.

Batem na sua porta.
Soldados e mil impostos,
Ninguém te conforta.

E cheios de desgostos,
Vemos o Brasil derruir
Em quantos mais rostos?

Quem vai se redimir?
Enquanto o povo sofre
Tem sempre um a rir.

A senha do cofre
Nosso presidente sabe.
Digite: Enxofre.

Aqui tudo cabe.
Exército e o ladrão.
Brasil se acabe.

quarta-feira, 28 de março de 2018

PEQUENA HISTÓRIA DA CRIAÇÃO



(P/ Millôr)

Bum! E Deus fez Adão.
Um grande preguiçoso
Vivendo de pensão.

Triste vagabundo,
Quis uma ter companhia
Pra esse mundo.

Por uma bagatela
Vendeu uma árvore
E uma costela.

Nascia Eva.
Mulher pra abalar,
Mas maleva.

Já de saco cheio
De Adão, Deus perguntou?
- Gostas? - Odeio!

Foi dar cabo
Da situação chata
E viu o diabo.

Em 1 minuto,
Vendeu a Eva o coração
Como um fruto.

Deus a avisou.
Eva falou: - Foda-se!
E comemorou.

Foi uma mordida.
Queria ela tá banguela
do que essa vida.

Saiu sem nada.
Nasceu a sociedade
Deseperada.

Ah! Pobre de Eva.
O que agora ganha
Não paga a cerva.

Adão, poeta,
Vende suas poesias
Aos proxenetas.

Caim e Abel:
Um virou traficante,
O outro, no céu.

Maldita maçã!
Agora faz sucesso
No Instagram.

Bendito fruto!
Adão e Eva vivem
Sem um puto.

quinta-feira, 22 de março de 2018

EM TODA MINHA ROUPA

Ao Dia Mundial da Poesia! ❤



Predominava
Em toda minha roupa
Seu corpo todo
Em sílabas e folhas.
O vento inesperado
Sacudia as
Palavras e
Amarrotava as
Madrugadas
Dos relógios.

Eu me perdia
Por dentro
Só para você ficar.

O seu cheiro de terra
Tornava tudo
Muito cotidiano.
A tarde de chuva
Entrava em
Toda a roupa,
Organizando
Minha solidão.

Suado num recanto
De memórias,
Encardido com
Os pequenos lugares,
Predominava
Em toda minha roupa
Um resto de casa,
Uma marca de abraço,
A rua atropelada,
O teu corpo todo.

Por nada a roupa
Tirava, mas rasgava-me
Com a mesma pedra
Faca argumentos
E dor.

Sei que a roupa
Não me servia.
Andava apertado
Pelos muros da vergonha.
No entanto,
A idade pregada na
Roupa me chamava
De amor.

Predominava
Em toda minha roupa
O poema inconcluso
Do aroma suficiente
Da sua última lágrima.

E eu usava sempre
A mesma roupa
Só para usar seu
Corpo todo.

terça-feira, 20 de março de 2018

SONETO SAUDOSO


P/ Deise Alves e Joelma Alves Eleutério

Saudade... vermos mamãe rezando
Quando o pranto nos trazia o frio.
Saudade...! Mesmo tendo um vazio,
Seu amor vamos multiplicando.

Sua vida na Terra não foi à toa.
Ao lembrarmos de ti, de repente,
Vimos que você foi um presente,
Temos agora uma saudade boa.

Ao bater os sinos das igrejas
Sei que nosso rosto tu beijas,
E assim a gente não esquece:
Ouvimos de longe a sua prece.

A saudade então vai cantando...
Seu amor vamos multiplicando.

QUADRA SATÍRICA DE ANIVERSÁRIO


P/ Walter Ianni

Amigo, deixa de parolice!
Não reclame. O tempo avança.
Se lhe crescem ciência e pança
Aceite a sua vasta velhice.

quinta-feira, 15 de março de 2018

VI O SORRISO DA MULHER NEGRA ASSASSINADO


vi o sorriso da mulher negra assassinado.
vi seu rosto negro com marcas da história.
vi o sangue negro levantar sua bandeira
& se afundar & escorrer nas ondas do mar,
pintando a areia branca com sua cor.
vi a rua abatida. vi o carro esburacado.
vi o corpo ofendido, perturbado & morto.
estamos fodidos. estamos cobertos de sangue.
está tudo passado em papel em branco.
a sentença está na cor da pele,
na colorida dor de África. vidas negras importam?
8 ou 9 tiros. pouco importa. os inimigos
tiram vidas, tiram o sono das pobre mães.
querem alvejar os negros. querem cobrir
o negro. a alegria negra. a voz negra.
querem sambar com a injustiça,
dar votos para a comissão de frente
da ditadura, querem cantar o feminicídio,
querem os inimigos aprisionar em
silêncio o grito da revolta.
cria da maré, da rocinha, pavão & pavãozinho,
da quebrada, da favela, querem
cantar as mágoas de março
nos bares chiques do leblon,
querem matar os jovens negros
nos sinais de trânsito & ainda assim
transitar livres pela baía de guanabara.
querem comprar a carne negra nas calçadas,
ricos, brancos, brancos, brancos,
riem das dores do morro,
das causas de março, das negras do mundo.
o homem e o mesmo Rio seguem iguais.
"precisamos gritar para que todos saibam
o está acontecendo em acari nesse momento."
o que está acontecendo com nosso país?
a cidadania está morta. o negro alvo da morte.
os sonhos & planos enchem as praias
de lágrimas. uma mulher negra passa
vendendo suas lágrimas. é sacolé,
é biscoito, mas no fundo o que o inimigo
quer é o mate. mate. mate. mate.
a família negra treme em seu pequeno barraco.
é chuva, é vento, é frio, é o tiro, o murro,
que sacode a casa, que fratura os ossos
& desperta a criança negra do seu sono de fome.
o inimigo quer entrar. você sabe do que ele é capaz.
o negro sabe do mundo. o pobre sabe da dor.
a favela não sabe seu nome, muitas vezes
visitada por balas e turistas.
o coração do negro pulsa, o do inimigo bate,
espanca, assassina, cala o surdo chamado.
o inimigo persegue incansavelmente,
golpeando os direitos, golpeando a mulher negra
mesmo essa liquidada no beco de suas tristezas.
está na hora de perseguirmos os inimigos,
apesar de sua potência de fogo, sua proteção
da gravata, do seu colete de toga.
o inimigo não quer desaparecer.
a mulher negra está na luta para não
desaparecer. ela suporta a dor de anos,
escrava dos homens, escrava do tempo.
não fique quieta, não fiquemos quietos.
a raça negra, negra como a noite
não deve se esconder atrás das
estrelas, do branco carregado de vaidade.
mulher, mulher, mulher.
vi seu sorriso assassinado.
vi suas mãos de luta alimentar seus filhos.
vi seu coração largado
no céu escuro. pobre negra, negra pobre.
querem colocar no ar mais uma série
da barbárie. querem fazer uma minissérie
das suas angústias para o inimigo
ganhar mais propaganda & ibope.
querem dar um emprego para lavar o branco.
vão assim, mulheres negras, morrendo
aos poucos & outras vão morrendo mais.
a morte está vestida de branco.
mulher negra, o terreiro te canta.
iansã, ewá, nanã, oxalá!
há guerras dentro da mulher negra,
ao redor da mulher negra,
e morre a mulher negra.
mais um nome sangra na história branca.
não podemos deixar em brancas nuvens.
os inimigos têm de pagar.
luto e luta fazem o seu corpo.
vocês são presentes. vocês estão presentes.
não se deixem calar.
vi o sorriso da mulher negra assassinado.
é um recado violento. é uma ameaça. é um genocídio.
é mais uma arma na cabeça de todos nós.

quarta-feira, 14 de março de 2018

POEMA AO UNIVERSO



Para Stephen Hawking

Eu olho a harmonia das estrelas
E faço versos ao infinito.
Só se ganha sua luz, acredito,
Quem sonha dia a dia merecê-las.

Eu olho a harmonia das estrelas
E vejo quão imperfeitas elas são.
Se podemos ouvir as estrelas
Escutai o universo do coração.

segunda-feira, 12 de março de 2018

UM PORRE COM BUKOWSKI



(Pelos 24 anos de morte do velho safado)

Nunca chamei de PORRE
A sensação de despertar,
Após uma noite de loucura,
Como se tivesse sido
Atropelado pela Variante
Do pai da sua ex-mulher.
Eu sempre chamei isso de Amor.
Amor que nos seca a boca
Feito um antidepressivo
Que engolimos quando
Achamos que estamos
Atolados em merda.
Amor que nos explode o crânio
Na dúvida de uma cefaleia,
Uma bala de revólver ou
Uma ambulante traição.
Amor que nos faz passar
Horas prostrado na cama
Ou nas preces do banheiro,
Balbuciando um nome,
Regurgitando a lua mestiça.
Amor que nos tira do lugar
Aos pontapés igual ao
Segurança do prostíbulo.
Amor tem esses frenesis
E distúrbios de um fogaréu
Vivo de tesão e perfume.
Por isso, tenho persistência
(Talvez um pouco de sorte)
E aceito, ancorado no balcão
De um boteco miserável,
Qualquer sorriso melancólico
Que anime meu coração
A pagar por um sentimentalismo
Barato. E possa acordar,
Apesar do sol inimigo, ciente
De que o amor é tudo um porre
E que vale a pena o amor,
Já que ele é a soma de
Todos os meus erros.

(VFM)

sexta-feira, 9 de março de 2018

O CORAÇÃO PERDIDO DO NATAN


(Das conversas inspiradoras com Walter Ianni e Nz Braga)

Meu coração me dê a mão. Vem por aqui longe dessas ilusões. Escuta-me. Escuta a dor desamparada dos trópicos. O caminho que escolhe são de anos e danos de tortura. Siga-me por esse corredor vazio de tempos mortos. A viagem vai ser longa. Não queira se despedir. As partidas são imperfeitas.

Meu coração, venha por aqui, aonde podemos nos render em outros fascínios. Meu coração me dê a mão. Agarre-me com vigor. Não importa aonde o amor tenha começado o seu rastro exato, venha, vamos seguir a aventura de nos perdermos em outro sofrimento.

quinta-feira, 8 de março de 2018

MADALENA


a mulher menstruou dois filhos,
hoje, antes do café da manhã.
no lençol ardia aquele velho
poema que ela teve que lavar
para não ser julgada durante
a temporada de caça às bruxas.
o marido tinha deixado uma
rosa de sangue em seu rosto
dizendo para que ela lembrasse
o fim do verão no dia de hoje.
algumas lágrimas cruzaram
o chão aonde os seus pés
caminhavam para não voltar.
o quarto do bebê cheirava
a arroz queimado e os brinquedos
da sua infância ainda tinham
as marcas da sua tristeza.
a mulher fechava a porta de casa
e trancava-se por dentro,
com o mal estar das palavras
rasgadas ontem ao anoitecer.
o porta-retrato da mãe
jazia ao lado do criado mudo
e muda ela estava diante
daquele sorriso maternal de
incômodo desespero.
era mais um dia para arrumar
a mochila dos filhos,
esta carregada de cadernos
em branco e com páginas de luto.
tudo parecia se repetir.
o tapa que dava para matar
a mosca seca era uma forma
de se libertar das inquietações
frutíferas que apodreciam
no ventre vazio, nos olhos vazios.
ela limpou no forro da mesa
suas tristes cantigas de ninar.
sentia-se suja e citava deus
sem ao menos acreditar.
estava ela presa como eurídice
ao inferno do seu cotidiano.
na tv um homem sorria ao discutir
sobre o mercado de trabalho,
gabava-se de gerir uma fábrica
de mulheres. em outro canal
havia denúncias contra ela ou
sobre milhões e milhões dela.
a mulher laborava um arrependimento.
a casa, seu útero machucado,
era invadida por fantasmas.
não havia distância entre a porta,
a dor, a mala, a raiva, o homem.
mas ela não conseguia prosseguir.
prendia-se ao espelho maquiando
o silêncio ininterrupto do rádio
consumido pelas formigas.
varria os hematomas jogando
para debaixo do tapete novos sonhos.
a louça equilibrava-se sobre as costas
da mulher do próximo. pensava.
penava: "olhai por nós, pecadores".
o coração envelhecido acotovelava-se
entre as frágeis costelas, tal qual
um animal amuado de incertezas.
havia uma dor verdadeira em seus
lábios trancados, nas mãos nodosas
esquecidas no fundo da geladeira.
ouvia da rua diversas mães
gritando pelos seus bebês.
e todo aquele sangue. todo aquele
sangue dentro do filme tedioso
que passava pela sua cabeça.
hoje a mulher tinha um funeral
para ir e por isso cozinhou
os ovos no suor do umbigo.
ela queria ter um sorriso inventariado,
mas a herança era uma aldeazinha
desbotada numa máquina de lavar.
a mulher queria construir um
novo universo, alugar um lugar
na história, com a certeza de dizer
que não aceitaria mais as injustiças.
pediria ajuda aos netos do futuro.
ela era melhor, bem melhor,
do que aquele macho mal-acabado.
nos seios corajosos e adoçados
de leite poderia extrair a sua força.
o vento de praia ia empurrando
aos cantos da casa os descuidos
dos filhos e sua solidão feito
um imenso bombardeio.
o sol que entrava tímido
pelas frestas da sua blusa
esquentava o medo e secava
a ferida deselegante.
ela queria deixar agora só entrar
pelo corpo as carícias da liberdade.
desejava fumar seu cigarro
em paz e bater as cinzas
no vaso das violetas,
antes de ser novamente fuzilada.
daria fim ao marido de noite.
a foto despojada do casamento,
nas cascas da parede,
dava o engulho das grávidas
e mostrava a gravidade nua dos curativos.
Isso haveria de mudar.
os cincos reais miúdos sobre a mesa
era o vestuário cafona do machismo.
Madalena resolveu desacordar
os homens com seu grito de guerra.
sairia da acomodada e agressiva
vida. ia cuspir pelos pratos,
ia masturbar pelos cômodos,
ia se vestir de luta e sair descalça
para ser falada pelo mundo e igrejas,
ia fazer um jantar à luz de velas
e temperar com a menstruação
o macarrão que serviria
para saciar toda a família,
com o sangue guerreiro que
continua a crescer e a lhe
fazer uma mulher imortal, livre
e simplesmente irreconhecível. 

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

RECEITA PARA FAZER UMA ONÇA


a criança perguntou à sua mãe 
como se faz uma onça.
A mãe respondeu que primeiro
é preciso escrever um poema
sobre a sombra de uma árvore 
cansada e colocá-lo numa mala.
depois despacha-se a mala
com o poema dentro para 
algum lugar clandestino.
Agita-se antes de usar e
deixa agir entre uma verdade
que é uma outra verdade.
quando a memória, sem querer,
rugir, a onça estará pronta
para devorar a felicidade
insuportável dos espelhos.
a onça vai conseguir
caminhar pelos mistérios
dos asilos e lamber a mão 
que balança o berço,
diante da selvagem
intolerância dos outros.
Sirva a onça à vontade
antes que ela crave em
alguém seus olhos tristes.

(VFM)

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

ESMALTE


ela pintou a unha
do polegar para esmagar
a cabeça do rapaz,
mas furou o dedo
no guarda-chuva.
do polegar colorido
o sangue envelheceu o rio
e cobriu toda a cidade
com ilusões mais caras.
enquanto as pessoas
remavam um longo silêncio
sobre seus caixões,
o rapaz sorria,
encharcado de relógio,
com a pressa de Deus
para embarcar no jornal estrangeiro de ontem.

a moça roeu a unha,
a pele, as lágrimas,
os ossos do ofício e sentiu na boca,
pela primeira vez,
o gosto do desconhecido,
que continua a lhe crescer
como uma micose.

(VFM)

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

PARRAR



Para Nicanor Parra

Ele partiu e não pagou a conta,
Deixando-nos com todo tipo de poemas;
O cigarro aceso em cima do aquário
Para alimentar o vício do peixe imaginário.
Mais de um século de dívidas acumulou
Junto com as alfaces presas nos dentes.
Entendíamos que sofria de uma hérnia de disco andina.
Adorava Violeta e vivia aos cântaros chorando vinho.
Ele não tinha conserto. O seu relógio desleal
Marcava certas horas do infalível.
Chegava sempre de algum horizonte pecador,
Rindo como os sapos com a sorte grande dos príncipes.
O garçom nos olhava com temperamento ineficaz,
Tratando de enxergar o túmulo invisível.
O dono do estabelecimento nos perguntava
Por ele com sua gravata estúpida e sombra demoníaca.
Não queríamos dizer que ele não tinha pago a conta.
Arcamos com a dor da sua ausência e
Do seu copo de antipoesia pela metade do terço.
Estávamos cientes de que ele foi verter arquivos em nuvens esquecidas
Sem nos deixar, pelo menos, a gorjeta das suas últimas palavras.

(VFM)

POEMA BURLESCO



para Nz Braga

A gente perde o copo não o amigo.
Desculpe por estragar sua engenharia
Construída nos bares e sábio abrigo.
Sou um ébrio bebedor da sua poesia.

A gente não perde porre só amores.
Meu bom amigo, não esqueça tampouco
A filosofia vive de dissabores
E nosso coração é louco, tão louco.

Estimo sua companhia, ela importa
Para curar a ressaca, a sua nobre,
A minha tola de um poeta jeca.

No final das contas a gente suporta.
Enriqueço-me de ti já que sou pobre
e sou eu quem fica nisso mais careca.

(VFM)

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

DESPEÇO-ME



Despeço-me com rugas no rosto
E com o meu coração pueril.
Despeço-me perdendo o posto
Atrás de uma guerra que ninguém viu.

Aproveito assim nesse meu adeus,
Para quem maltratou os meus lábios,
Deixar meus pertences junto aos teus
E os livros dos mais caros sábios.

Vou partir com mil sorrisos falsos,
Pois quero seguir outro caminho
Sem levar de todo um passado.

Despeço-me. Já estou atrasado.
Sigo agora melhor sozinho
Sem bagagem e olhos descalços.

(VFM)

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

QUADRAS D'ELA


Já que você comemora
Nosso término com festa.
Por que você se decora
Com esse pranto que resta?
*
O que tem nesse peito então?
Parece que dentro bate,
Nessa fria tampa de caixão,
Alguém a pedir resgate.
*
Logo quando eu morrer
Te peço só um favor:
Se for pra me esquecer,
Esqueça-me com amor.
*
Tenho o meu coração em pedaços.
No peito a dor em vários rombos.
Pegue uma porção dos meus fracassos
E dê de comida aos pombos.
(VFM)

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Soneto para um Amigo


Para Daniel Ottoni

Duas interrogações crescem enrugadas.
E são, quem sabe, perguntas sem respostas.
Dúvidas torcendo nas arquibancadas,
Curiosidades que nos são impostas.
Há um encontro. Há uma afinidade.
Encantos que tiramos de algum cofre.
Um Amigo que nos traz a felicidade
E abraça tudo que a gente sofre.
São lembranças que despertam por minuto
O que vivemos nas furnas do passado.
São palavras fazendo nossa história.
Ter um Amigo é ser absoluto?
Por certo, um futuro antecipado.
Ter um Amigo é se encher de glória?
(VFM)