O branco ofuscante do papel vazio dormia nas mãos inconfessas. O lápis descia uma oitava para que a frase surgisse três compassos depois. E foi assim que ele se descobria, com olhos e mãos patinhando nas ingrediências da poesia.
Dai aos encontros a condição de te dizer que o amor existe e que não passei pela vida sem te ver.
segunda-feira, 18 de junho de 2012
Notícia em um jornal dobrado no infinito:
'Homem é vítima de Poesia em sequestro relâmpago. Solto após pagar um poema no crediário'.
(VFM)
segunda-feira, 16 de abril de 2012
No deserto do teu corpo, a tua boca é um oásis de margens carnudas, onde posso colher pêssegos e beber do sangue morangos nas águas maduras de versos férteis.
(VFM)
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
A força da gravidade do teu sorriso é que me atrai e me aprisiona a alcova da tua boca, onde fazíamos amor.
(VFM)
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
O poema é como um leito de um rio, E Sabe que foi feito para você banhar.
(VFM)
Obs: inspirado no poema de Violeta C. Rangel
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
A saudade é como um passarinho: é livre para se sentir, vive solta no nosso peito, mas sua leveza é de chumbo. Apesar de a saudade ir e vir, apreciar tanto o seu ninho – ser o homem a sua manjedoura –, a saudade é uma felicidade que apesar de nos queimar por dentro, na alma ela nos põe sol, doura.
(VFM)
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Olhei o céu. Era noite. A Lua. Sua boca de catleia. Ela, nervosa. Deu-me um beijo. Parece que foi ontem. Sonhei. É hoje? Ela, coquete. Saudou-me. Lábios da madrugada.
O sorriso das folhas derrotava a triste face do vento, abatendo a sisudez das nuvens que se vestiam com o terno de trovoadas. A árvore que sustinha todos aqueles rostos fagueiros achava-se a mais feliz de todas, pois estava coberta por verdes anjos do céu.
(VFM)
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Fico a salivar no corpo de um poema inteiro, quando ele está nu e as palavras não lhe cobrem teus lírios. O silêncio do teu verso me fez te amar e a terra lírica em que vive é um canteiro que o poeta te semeou.
Estende o sorriso no varal da boca, sacode uma palavra, tenta secar uma rima. Na brisa da língua, que vem com a maresia da frase de ontem, a morna tarde do teu beijo em verso cotidiano.
(VFM)
Tenho guardado nos meus lábios ditos de todos os sábios: o Amor é com um pássaro: têm penas quando a saudade lhe encolhe de frio o corpo, asas para alcançar um sonho e buscá-lo, e canta, e pia, a velha cantiga: “Eu te amo, Eu te amo”.
(VFM)
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Se na janela não batesse, rude, a mão do sol eu dormiria mais arejado na sombra. Tenho que mudar os ventos da rosa da cama, assim o sonho se ajetaria melhor na relva celeste.
Que fome! Vontade de morder teu fruto e sentir todo o teu sumo envolvendo minha boca numa alegria estranha, como se teu gosto fosse um verde constante, e a árvore do teu corpo pudesse eu sempre e eternamente descascar.
O sujo falando do mal lavado, o farrapo falando do roto, o soluço do arroto, a dor para o mal amado, o mal cheiro do esgoto, a feiúra para o sapo, a trilha do sapato, o mundo falando do CU.
Quero escrever no mar o sorriso da alma. Quero grafar nas ondas a memória dos sonhos. Quero desenhar um oceano de versos. Quero uma maré de inspiração. Quero, por fim, marulhar como poeta.
Ao final, todos os anos são como livros guardados. Leia as lembranças e folheei as saudades. Ontem é nostalgia. Abra o capítulo intacto do mundo, Ano Novo!
Abraços aos meus amigos leitores!
(VFM)
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Nunca meu coração me pertenceu. Tenho o peito na escuridão. O que carrego comigo está na extensão da eternidade, plainando em algum sorriso perdido.
Enchi o céu com teu nome e cobri a terra com a tua existência. Dos meus versos de areia, pus um recado no mar: a tua lembrança é uma cicatriz, os teus sonhos são impossíveis de escavar. Por motivos de saudade, preenchi o teu corpo com um poema para não desbotar.